Moradores dos jardins Alcântara, Vale do Reno e bairros próximos (Zona Sul) estão indignados – e preocupados – com informação divulgada recentemente pela prefeitura sobre o acordo para viabilizar o término de uma das pistas da Avenida Ayrton Senna, na mesma região. Para tomar posse do terreno de 4.754,77 metros quadrados que impede a conclusão da avenida, a Secretaria de Obras negociou com a família do proprietário Hikaru Goto a doação de outros três terrenos. Um deles é parte de um terreno de aproximadamente 10 mil metros quadrados, na Rua Maria Luzel Calduro, destinado à construção de uma praça.
  O presidente da Associação de Moradores, Isaías Bittencourt Moraes, tem cópia de projeto da praça feito pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL) datado de novembro de 2003. ‘‘Trata-se de uma praça simples, mas bem elaborada, com pista de caminhada, parquinho e arborização. É um projeto que atende às necessidades da comunidade’’, resume Moraes.
  O presidente da associação argumenta que trata-se de um bem afetado, ou seja, que já tem destinação, com certidão negativa e tudo. Pelo projeto, a praça foi batizada com dois nomes: Vitório Ferrari e Carlos Vamberto Leal de Mello. ‘‘Há tempos os moradores vêm cuidando deste terreno. Já agendamos a próxima roçagem para esta semana e um agrimensor vai demarcar a localização das árvores’’, afirma.
  O casal Simone e Antonio Carlos Cavazzani, moradores do Alcântara há quatro anos, revelam que o projeto da praça pesou na escolha do terreno onde construiriam sua residência. ‘‘Mas agora vamos ter uma plantação de repolhos em vez de um local de lazer’’, diz Simone. Antonio Carlos lembra que desde que se mudaram para o bairro sonham em passear na praça com os filhos. ‘‘Investimos nossas economias aqui e agora estamos vendo nosso sonho ir por água abaixo.’’
  Com o comerciante Marcelo Gonçalves da Silva a história foi semelhante. Ele está construindo uma casa bem em frente ao terreno e conta que, ao se mudar de Curitiba para Londrina, escolheu aquele justamente por causa da praça. ‘‘Cheguei a ver o projeto lá na prefeitura’’, revela.
  O secretário de Obras Alysio Crescentini de Freitas informou que o projeto de lei que deve ser enviado pelo prefeito nos próximos dias para aprovação pela Câmara de Vereadores prevê que sejam desafetados 6,3 mil metros quadrados do terreno, que no total tem 10 mil metros quadrados. ‘‘Vai sobrar uma parte, onde a praça poderá ser construída. O que estamos fazendo é perfeitamente legal’’.

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