Moradores reivindicam melhorias
Maigue Gueths
De Curitiba
Representantes dos moradores de duas áreas de ocupações no município de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, vão hoje à prefeitura e Câmara dos Vereadores do município reivindicar melhorias urgentes nos terrenos. Esta não é a primeira vez que a comunidade se mobiliza em busca de infra-estrutura. O loteamento Marumbi, na Vila Santa Maria, por exemplo, onde vivem cerca de 300 famílias, existe há três anos e até agora não tem abastecimento de água, energia elétrica e nem ensaibramento nas ruas.
A situação é a mesma na Vila Primeiro de Maio, no bairro Gralha Azul, que comemora um ano de existência no próximo 1º de maio. A ocupação começou expontaneamente em 21 de abril do ano passado e hoje reúne cerca de 170 famílias em 41,6 mil metros quadrados. Desde então, eles vêm brigando na Justiça para conseguir regularizar os terrenos e obter infra-estrutura para a área. No início, o proprietário do terreno, Orlando Gonçalves de Oliveira, chegou a pedir reintegração de posse na Justiça, a qual foi caçada pelo Tribunal de Alçada depois que os moradores questionaram a medida. Depois disso, a comunidade procurou a prefeitura e chegou, inclusive, a fazer uma proposta de compra da área por R$ 70 mil, a qual não foi aceita.
Segundo o presidente da Associação dos Moradores da Vila Juvenal da Cruz que representa também a Vila Primeiro de Maio Orlando Bonette, já foram feitos inúmeros contatos com a prefeitura, Copel e Sanepar, todos sem respostas positivas. Em assembléia no local, o prefeito Celso Luiz Soares Rocha prometeu regularizar a situação dos moradores e autorizar a Sanepar e Copel a fazerem as instalações, mas isto também não aconteceu. A Copel, de acordo com Bonette, afirmou que o projeto já está pronto e liberado pela prefeitura, mas falta material para fazer as ligações. A Sanepar, por sua vez, não agiliza o abastecimento sob alegação de que estaria tomando partido em favor das invasões.
Na Vila Santa Maria, a situação ainda é mais complicada. Há três anos, o local começou como um loteamento da Santarém Empreendimentos Imobiliários Ltda., o qual foi embargado pelo Ministério Público, em 1997, por não estar de acordo com a legislação vigente. O problema é que nesta época várias pessoas já tinham adquirido lotes e estavam morando no local. Depois disso, a prefeitura chegou a liberar a Santarém para que continuasse com as obras de infra-estrutura, luz, água, ensaibramento e drenagem, mas isto não aconteceu.
Desde então os moradores pararam de pagar as prestações dos lotes, à espera de uma solução. Como novas famílias começaram a entrar na área também, um dos proprietários do terreno, José Dalvo dos Santos, entrou na Justiça pedindo reintegração de posse. O loteamento estava sendo feito em nome de José Dalvo dos Santos, Arlete Luiza dos Santos, da Administradora de Imóveis Amavisa Ltda., de propriedade do deputado estadual Geraldo Cartário Ribeiro e da Santarém Empreendimentos Imobiliários, de propriedade do ex-vereador da Fazenda Rio Grande Evalzio Luiz Androchecher, Maria José Barbosa e Airton Lopes da Silva.





