Moradores do Distrito de Lerroville, Zona Sul de Londrina, reuniram-se em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS), na manhã de ontem, para pedir melhorias no atendimento. Segundo o lavrador José Alves Machado, de 70 anos, em alguns dias da semana a unidade só atende no período da manhã. ''A doença não escolhe hora para chegar. E se precisar de um médico depois do almoço tem que ir até Tamarana'', contou o lavrador. A dona de casa Rosimeire Antunes, de 24 anos, saiu furiosa do posto. ''Há uma semana estou tentando conseguir transporte para levar meu filho para Londrina e eles dizem que não tem'', contou. O filho de oito anos precisaria fazer uma cirurgia no olho.
A unidade funciona 10 horas por dia, de segunda a sexta-feira. ''Se tivesse um médico aqui o tempo inteiro, acho que meu marido teria sobrevivido'', declarou a dona-de-casa Maria Cândida de Oliveira, de 53 anos. No dia 27 de abril, o marido dela, Jamil Soares de Oliveira, de 54 anos, sofreu um infarte durante a madrugada e teve que ser levado às pressas para Tamarana (62 km ao sul de Londrina). ''Foi meu vizinho que levou a gente, mas quando chegamos lá não tinha mais o que fazer'', recordou.
Segundo a dona-de-casa, o marido já teria sentido dores anteriormente e o médico teria pedido um raio X, porém Oliveira não teve tempo para ir a Londrina. Ela também ressaltou que há uma semana o filho, de 24 anos, que é cego e sofre de hipertensão, está com dor de dente e tem que ir até a zona urbana para ser atendido.
De acordo diretora executiva da Secretaria Municipal de Sa© úde, Margaret Shimit, não há previsão para a implantação de uma emergência 24 horas no distrito. Enquanto isso, os casos devem ser direcionados para Tamarana. Quanto à morte do lavrador a diretora acredita que o atendimento 24 horas não evitaria o falecimento. ''Todos os casos graves são tranferidos para hospitais'', contou. Margaret também explicou que durante à noite e nos finais de semana os motoristas do posto são orientados a chamar o Siate e eles avaliam se há necessidade da mandar uma ambulância.
No total são quatro médicos que trabalham na unidade, mas, segundo a enfermeira Claudete Ribeiro Pereira, há 15 dias um deles está de licença médica. ''O único período que não temos médico é na quinta-feira à tarde'', relatou. Ela também lembrou que um dos médicos é responsável pelo atendimento rural, que é feito todas as segundas e quarta-feiras. ''Como tem alguns locais que não há transporte para vir até aqui, nós vamos até eles. O médico e as enfermeiras ficam quase o dia todo fora'', disse Claudete.
A diretora executiva da secretaria afirmou que o caso está sendo acompanhado de perto, pois Lerroville é o maior distrito e fica longe da cidade. ''Estamos tentando contratar médicos que morem lá mesmo para ampliar o tempo de atendimento deles. Quanto ao médico de licença, não há como substituir todo mundo'', disse. O distrito fica 55 quilômetros distante da área urbana de Londrina.

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