Resultado parcial de um plebiscito em Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, aponta que a população é contra a instalação de um aterro sanitário no município. Promovida pela Associação Ambiental Votuverava, a consulta popular constatou que 3.952 moradores não querem que o aterro seja construído pelo governo do Estado. O plebiscito teve até agora dois votos brancos e apenas oito que são a favor do projeto. Faltam ser apurados outros cerca de mil votos.
Rio Branco do Sul está nos planos para abrigar o aterro sanitário desde o início dos anos 90. O aterro sanitário da Caximba, em Curitiba, está com a vida útil esgotada. O início das obras do novo aterro está marcado para o ano que vem. Ele terá condições de receber cerca de 2,5 mil toneladas de lixo por dia de 15 municípios da região metropolitana. ‘‘O povo não quer que Rio Branco do Sul seja conhecida como a cidade do lixão’’, afirma a presidente da associação ambiental, Claudete Galli.
A entidade deve intensificar a partir do próximo ano as estratégias para pressionar o governo a rever o projeto. Em janeiro, os integrantes da associação deve vir a Curitiba para protestar em frente a prefeitura contra a instalação do aterro. O protesto deve se estender ainda para a Boca Maldita. ‘‘Não vai ser às nossas custas que Curitiba vai continuar com o rótulo de capital ecológica’’, diz Claudete.
Os ambientalistas de Rio Branco do Sul justificam que a cidade já tem muitos problemas para resolver. A economia do município é baseada na exploração do calcário, minério abudante na topografia acidentada da cidade. ‘‘A questão do ar é muito delicada com as empresas de calcário e não queremos mais poluição por aqui com o mau-cheiro causado pelo lixo’’, argumenta Claudete.
O resultado oficial do plebiscito vai ser divulgado amanhã. Das 70 urnas espalhadas pela cidade, 15 ainda não foram apuradas. A associação ambiental procurou intensificar a participação da comunidade, levando as urnas para escolas, residências e o comércio. Os números da votação serão enviados para a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), responsável pela implantação do aterro, e para a Prefeitura de Rio Branco do Sul. Executivo municipal e a Câmara de Vereadores também se posicionaram contra o projeto.

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