Moradores recusam lixão em plebiscito
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Resultado parcial de um plebiscito em Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, aponta que a população é contra a instalação de um aterro sanitário no município. Promovida pela Associação Ambiental Votuverava, a consulta popular constatou que 3.952 moradores não querem que o aterro seja construído pelo governo do Estado. O plebiscito teve até agora dois votos brancos e apenas oito que são a favor do projeto. Faltam ser apurados outros cerca de mil votos.
Rio Branco do Sul está nos planos para abrigar o aterro sanitário desde o início dos anos 90. O aterro sanitário da Caximba, em Curitiba, está com a vida útil esgotada. O início das obras do novo aterro está marcado para o ano que vem. Ele terá condições de receber cerca de 2,5 mil toneladas de lixo por dia de 15 municípios da região metropolitana. O povo não quer que Rio Branco do Sul seja conhecida como a cidade do lixão, afirma a presidente da associação ambiental, Claudete Galli.
A entidade deve intensificar a partir do próximo ano as estratégias para pressionar o governo a rever o projeto. Em janeiro, os integrantes da associação deve vir a Curitiba para protestar em frente a prefeitura contra a instalação do aterro. O protesto deve se estender ainda para a Boca Maldita. Não vai ser às nossas custas que Curitiba vai continuar com o rótulo de capital ecológica, diz Claudete.
Os ambientalistas de Rio Branco do Sul justificam que a cidade já tem muitos problemas para resolver. A economia do município é baseada na exploração do calcário, minério abudante na topografia acidentada da cidade. A questão do ar é muito delicada com as empresas de calcário e não queremos mais poluição por aqui com o mau-cheiro causado pelo lixo, argumenta Claudete.
O resultado oficial do plebiscito vai ser divulgado amanhã. Das 70 urnas espalhadas pela cidade, 15 ainda não foram apuradas. A associação ambiental procurou intensificar a participação da comunidade, levando as urnas para escolas, residências e o comércio. Os números da votação serão enviados para a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), responsável pela implantação do aterro, e para a Prefeitura de Rio Branco do Sul. Executivo municipal e a Câmara de Vereadores também se posicionaram contra o projeto.


