A dura rotina de esperar pelo transporte coletivo em dias comuns pode ser ainda pior nos finais de semana. Os ônibus circulam em menor quantidade, até mesmo por causa da redução no fluxo de passageiros. E é nesse período de espera que os usuários prestam mais atenção num detalhe: a situação dos pontos.
No Centro da cidade e em alguns bairros, a maior parte foi substituída pelos novos modelos, com cobertura e bancos de metal, que proporcionam maior conforto aos usuários. Em outros locais, porém, a situação é precária. Os pontos, ainda de ferro e cobertura de zinco, estão sem conservação, sem pintura e muitos acabam não protegendo nem do sol nem da chuva.
No Jardim Ideal (Zona Leste), a reportagem da Folha situações que já viraram rotina. Num dos pontos (que ainda não foi substituído), a auxiliar de serviços Cleide Margarida dos Santos Alves, moradora do bairro, estava debaixo da sombra de uma árvore, que fica próxima ao ponto de ônibus, na Rua Grafite. ''É bem precária a situação dos pontos. E como temos que esperar mais tempo do que o normal, por ser domingo, a gente fica sem ter onde se abrigar.''
Ela também reclama da demora dos ônibus. ''Você fica bastante tempo esperando, não tem onde sentar. O pior é para as pessoas de idade que ficam muito tempo de pé.''
Já o aposentado Elias Ferreira, de 70 anos, esperava o ônibus sentado em uma mureta que fica na calçada do cemitério, no Jardim Ideal. ''Debaixo do ponto não tem lugar prá sentar. O sol é muito forte e a cobertura velha não protege nada'', reclamou.
Morador do Conjunto Mister Thomas, ele conta que em vários bairros a situação é a mesma. ''Eu conheço todos os bairros aqui perto e a maioria não tem ponto novo. Isso eles só fazem para o povo lá do Centro'', criticou o aposentado. Para ele, a situação é pior em dias de chuva. ''Não cabe todo mundo no ponto, as pessoas se molham, vira uma bagunça.''
No Conjunto Lindóia (Zona Norte), próximo ao Jardim Ideal, a principal rua do bairro, a Avenida Maritacas mostra um contraste, com abrigos antigos e novos. ''São poucos os pontos novos, a maioria é antigo'', reclamou a dona de casa Aparecida Coradi, enquanto aguardava a condução.
Para o repositor Denis Bossa, em dias de chuva a situação se complica. ''As pessoas precisam se proteger num ponto de moto-taxi, que fica perto do ponto de ônibus'', observou. ''A gente trabalha de dia e estuda à noite. Se chove, não tem como se abrigar. Temos que sair correndo'', observou o estudante Leandro da Silva.

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