Desde fevereiro, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina não é mais responsável pela limpeza dos terrenos particulares. Com isso, muitos moradores que residem próximo de áreas onde o mato não é capinado há meses e a presença de entulhos é constante, são prejudicados. A situação tem sido complicada porque, em muitos casos, os proprietários nem moram em Londrina e acabam demorando para receber a notificação da CMTU.
De acordo com a nova legislação, a autarquia notifica e aplica uma multa de R$ 0,20 por m2 para os terrenos que não sejam limpos pelos proprietários. Segundo informações da CMTU, a cidade tem em torno de 30 mil terrenos vazios. A dona-de-casa Marta Alves dos Santos Sacatelli Mendonça, moradora do Jardim Bavaria (Zona Norte), reclama do problema. Ao lado de sua residência, um terreno que pertence a ela é limpo todos os dias. O problema é que na área ao lado há mato alto e um grande quantidade de lixo que atrai bichos e pode servir de criadouro para o mosquito da dengue. Segundo ela, o terreno pertence a uma pessoa que nem mora no Brasil.
''É um absurdo isso, até pneu tem aqui. Os agentes de Saúde ficam passando na casa da gente mas não enxergam isso. A gente não tem como ficar esperando a CMTU multar esse proprietário. O mato vai crescendo, vão aparecendo bichos, e não sabemos mais o que fazer. Na minha casa já apareceu escorpião, rato'', reclamou a moradora. Outros vizinhos do terreno confirmaram a versão da dona-de-casa.
Além de ter ligado inúmeras vezes para a CMTU, Marta registrou um protocolo na Vigilância Sanitária, no dia 3 de julho, e até ontem nenhum funcionário da Sáude tinha aparecido no local. A FOLHA entrou em contato com a Vigilância e foi informada que a demora do atendimento aconteceu por causa da grande demanda. Segundo o funcionário que falou com a reportagem, uma equipe seria enviada até o local hoje.
Ainda segundo informações da Vigilância, uma segunda via do protocolo já teria sido encaminhado à CMTU para providências quanto à limpeza do terreno. Segundo o diretor de Operações, Fábio Realli, a moradora deve formalizar um protocolo na CMTU para que a autarquia possa localizar o proprietário e tentar ''agilizar a limpeza''. ''Às vezes acontece de alguns cadastros não estarem atualizados, o que acaba contribuindo com a demora, mas podemos verificar com urgência os casos mais graves'', garantiu.
De acordo com o coordenador de capina e roçagem da CMTU, Alexandre Zuliani, desde fevereiro, a companhia aplicou 520 autos e já outros 500 estão em andamento. ''Destes, 169 pagaram multas. É realmente um processo burocrático que acaba demorando''. Para Reali, apesar da burocracia, a nova medida está sendo positiva. ''Já melhorou bastante com as notificações. Hoje temos muito mais terrenos limpos do que sujos na cidade'', comentou.

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