Moradores reclamam de vila
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
Benedito Teles Equipe da Folha 
Santo Antônio da Platina - Os moradores da Vila Rural Nossa Senhora de Fátima, em Guapirama (53 quilômetros ao sul de Jacarezinho), afirmam que ocorreram falhas na construção das casas do projeto e reclamam da demora na definição dos programas de cultivo. Eles alegam que o solo apresenta deficiências e temem que ocorra a proliferação de doenças por causa do vazamento de fossas.
A Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) entregou as casas para moradia no início de dezembro. O projeto com 53 famílias e cerca de 200 moradores está localizado a cinco quilômetros da cidade e, apesar de entregue, ainda não foi inaugurado. A Cohapar confirma o atraso na realização de reparos e na manutenção das fossas, mas explica que o cultivo será realizado por meio de programas da Emater.
A agricultora Anastácia de Almeida, 52 anos, mora com mais três pessoas em seu lote. Ela afirma que a sua casa apresenta falhas na construção das janelas e do banheiro. Anastácia de Almeida conta que, apesar das reclamações, nada foi feito.
A moradora Roseneide Alves Gonçalves disse que se preocupa com a saúde da família e com os constantes alagamentos. O agricultor Celso Vicente Ferreira, 40, também teme pela saúde de sua família. Ele explica que um caldo preto sai da fossa e pode comprometer a saúde das pessoas. Já o morador Armando Fernandes Valeiro, 52, afirma que a terra é improdutiva. Ele acredita que a aquisição teve motivos políticos.
O gerente regional da Cohapar, João Carlos Bruno de Oliveira, admitiu o atraso na realização dos reparos nas casas e na administração das fossas. Oliveira disse que a entidade realizou o levantamento dos reparos e que a empresa, responsável pela licitação, deve iniciar os consertos imediatamente. Os técnicos da entidade também devem começar a manutenção imediata das fossas. Segundo ele os alagamentos serão resolvidos após a implementação de um plano de conservação do solo em áreas vizinhas à Vila Rural por técnicos da Emater.
Oliveira discorda sobre a improdutividade da terra e afirma que o processo de aquisição contou com a participação da Emater e da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Ele explica que, em relação ao cultivo e sobre o repasse de recursos, ocorreu uma precipitação dos moradores. Segundo ele os programas de cultivo e a liberação dos recursos serão realizados após a definição, por meio de debates entre os técnicos e os agricultores, do produto e do modelo de cultivo implementado pelo proprietário de lote.


