Público, segundo o dicionário, significa ''relativo ou pertencente a um povo, a uma coletividade''. Em Londrina, dada a forma como são tratados algumas áreas públicas, ou muita gente discorda dessa definição ou não se incomoda em destruir e sujar as suas próprias coisas.
O lago Igapó, um dos cartões-postais da cidade, é um exemplo. Volta e meia reaparecem denúncias de vandalismo e sujeira. ''As pessoas passam o domingo aqui perto da barragem, e na segunda-feira está tudo imundo. Enquanto isso, o vento leva um monte de embalagens para dentro do lago'', reclamou o gerente comercial José Carlos Stuani, apontando para as embalagens de sorvete e outros alimentos, copos e sacolas plásticas, garrafas pet e cocos vazios espalhados pelo gramado e até dentro do lago. ''Faço caminhadas aqui todos os dias, e geralmente na segunda a situação é muito pior, o gramado chega a ficar branco de tanto lixo espalhado. É bastante desagradável'', relatou. Segundo ele, na manhã de ontem, a despeito de todo o lixo espalhado, o local estava ''incrivelmente limpo''.
A informação foi confirmada pelo casal Laudiceia e Hélio Morimoto, que também caminha pelo Igapó costumeiramente. ''Toda segunda-feira é assim. E a sujeira é só na região próxima à barragem, que é onde as pessoas se concentram no domingo. Deveria ter mais lixeiras e fiscalização'', sugeriram.
Segundo o gerente de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Fábio Reali, o município já tentou instalar mais lixeiras na área, mas elas foram depredadas por vândalos. Reali explicou também que a empresa responsável pela coleta do lixo o faz às segundas-feiras. ''É que a limpeza começava pela outra ponta. Mas já orientamos a empresa para iniciar a partir da barragem'', informou.
O gerente da CMTU lembrou que recentemente foi realizada uma ação integrada com a Força Verde da Polícia Militar para fiscalizar e obstruir o trânsito e o estacionamento de carros sobre o gramado. ''Também já orientamos os comerciantes. O lixo de seus produtos é de sua responsabilidade, e eles serão notificados. Se não der resultado, podem ser multados ou mesmo ter seu alvará cassado'', ameaçou, destacando porém que a intenção da CMTU não é multar, mas sim resolver o problema. ''Quem joga o lixo ali sabe que não pode. Não é falta de informação. Falta uma mudança de atitude. Sem isso não há como solucionar''.
Para Stuani, é preciso realizar, acima de tudo, um trabalho educativo para conscientizar as pessoas. ''Os próprios comerciantes poderiam avisar seus clientes, pedir para jogar o lixo no local certo. Ou terem suas áreas delimitadas, das quais ficariam responsáveis pela limpeza. Mas o problema é generalizado, as pessoas não se preocupam. Londrina é uma cidade tão nova, tão bonita, e que corre o risco de se tornar um grande lixão'', alertou. Morador das redondezas, Stuani já perdeu a conta do número de vezes em que ele mesmo catou o lixo alheio e jogou no lugar certo.

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