Moradores do Conjunto Roseira I, na Zona Sul de Londrina, estão reivindicando o recapeamento da Rua João Gonçalves Padilha, via que integra o itinerário da linha de transporte coletivo 202. Eles dizem que a quantidade de buracos na rua aumenta a vibração gerada com a passagem dos ônibus, o que estaria provocando inúmeras rachaduras nas residências. Os moradores sugerem o deslocamento do itinerário para outra rua, já que a via em questão é estreita, comprometendo também a segurança das crianças.
Segundo o pizzaiolo Luiz Carlos de Almeida, as casas começaram a rachar há cerca de dois anos devido ao trânsito dos ônibus. ''A rua nunca foi recapeada desde que o conjunto foi inaugurado, há 22 anos. Está cheia de buracos e quando ligamos para a prefeitura o máximo que fazem é tapar com piche'', descreveu.
Uma das ''vítimas'' da vibração provocada pelos ônibus é Carlos Pedro Camargo, que diz já ter gasto quase R$ 5 mil em reformas na casa. ''Já pago R$ 600 de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e me sinto obrigado, todos os anos, a fazer uma reforma de R$ 1,5 mil para que a minha casa não caia'', reclamou.
Mesmo os imóveis mais afastados da rua, como a da aposentada Maria de Lourdes Silva, têm problemas. ''Também já tivemos que gastar com reparos na janela da frente de casa. As vibrações podem ser sentidas mesmo nos quartos dos fundos, longe da calçada'', explicou.
O diretor do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Sebastião José Narciso, que também reside na Rua João Gonçalves Padilha, destacou a falta de segurança gerada pelo trânsito de ônibus. ''Nossa rua é mais estreita do que o normal. Portanto, quando passamos pelos nossos portões, já estamos correndo riscos. Assim como vários vizinhos, eu já perdi minha cadela de estimação, atropelada por um ônibus, e nosso medo é que isso aconteça com uma das crianças'', ressaltou.
De acordo com Almeida, 30 moradores da rua organizaram um abaixo-assinado encaminhado à prefeitura e à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) pedindo providências. O documento teria sido entregue no início do ano e a resposta ainda está sendo aguardada. ''Tanto o asfaltamento da rua quanto o deslocamento da linha de ônibus são desejos antigos. Qualquer que fosse a medida tomada, já seria de grande importância para nós'', pediu.
As duas alternativas, no entanto, exigem tempo para a avaliação da secretaria municipal de Obras e da CMTU. De acordo com o secretário de obras, Aloysio de Freitas, não há previsão de recapeamento das ruas do bairro em 2005. ''Não temos linhas de crédito nem do Ministério das Cidades, nem do programa estadual 'Paraná Urbano' para isso'', afirmou. Freitas se comprometeu, contudo, a mandar técnicos para avaliar a dimensão do problema. ''Se for constatado que é uma questão simples, talvez possamos resolver com nossos próprios recursos. Se não, precisaremos sair à cata de financiamentos estaduais e federais'', explicou.

mockup