Moradores reclamam de poluição de fábrica
Maigue Gueths
De Curitiba
Moradores do bairro Uberaba, nas proximidades da Avenida das Torres, em Curitiba, denunciam a empresa Fertipar (Fertilizantes do Paraná) de causar problemas ao meio ambiente e à saúde das pessoas da região. Segundo os moradores, a empresa, que opera no local ensacando uréia, levanta uma poeira branca que, além de sujar as casas, causa problemas de saúde aos moradores. Eles reclamam, ainda, do movimento diário de caminhões no local, que vem causando problemas também à estrutura das casas.
As denúncias já foram encaminhadas pela Associação dos Moradores de Monte Castelo do Uberaba à Secretaria Municipal do Meio Ambiente e à Câmara Municipal de Curitiba. Ontem mesmo, fiscais da secretaria estiveram na empresa para fazer uma vistoria, mas não foi constatada nenhuma irregularidade. O processo de ação fiscal prevê novas análises na empresa e se for constatado algum problema, é feita uma notificação e, caso não haja solução, aplicada uma multa.
A Fertipar é uma indústria paranaense de fertilizantes. A fábrica é sediada em Paranaguá, no Litoral do Estado. No Uberaba, à Rua Manoel Soares Gomes, esquina com Avenida das Torres, há quase 20 anos funciona apenas uma unidade para ensacar a uréia - produto produzido pela Ultrafértil em Araucária.
Diretores da Fertipar preferiram não dar nenhuma declaração oficial, mas adiantaram que a empresa já adquiriu terreno em Araucária e a unidade ensacadora de uréia deve mudar de endereço até o final do ano.
É horrível, a empresa faz um pó que mexe com a garganta da gente. Todo mundo sofre de alergia e eu tenho um calo na garganta, diz Arema da Silva Dias, presidente da Associação de Moradores, que mora há 20 anos na região. Segundo ela, o pó branco da uréia é constante e não adianta fechar a casa, pois ele entra pelas frestas. Minha filha mais nova teve bronquite e todos os filhos sempre tiveram tosse, conta. Solange Bolino também fala dos problemas de saúde. Aqui em casa todo mundo é alérgico, ou tem rinite ou bronquite alérgica.
Antônia Rosa Timóteo também reclama do cheiro forte da uréia. Eu tenho ânsia, diz, lembrando que o problema é maior em dias de vento forte. Dá para sentir até na minha casa, diz Vilma Fogiatto, que mora a duas quadras da fábrica. Para Zeni Dornelles, entretanto, o problema maior é o entra e sai de caminhões. É um barulho infernal, até a imagem da TV treme, diz.
Arema e Solange também reclamam dos prejuízos causados pelo tráfego constante de veículos pesados na rua. Segundo Solange, os caminhões carregam e descarregam material o dia inteiro. Danifica as casas, estoura calçada, estoura lajota. Ela conta que em sua casa as obras são constantes. Tive que refazer a calçada, a cozinha, e no banheiro a banheira rachou antes mesmo da gente terminar a obra.





