Moradores do Jardim Maria Lúcia (Zona Oeste) de Londrina estão preocupados com a poeira expelida pelos exautores da Metalúrgica Montasa instalada próxima à rua Antônio Capelo, que faz fundo com a fábrica. O local, segundo os moradores, fica tomado pela poeira, que também invade as casas, principalmente nos finais de tarde. O problema começou há 15 dias e além da sujeira, a maior preocupação é com a saúde da comunidade.
O presidente do bairro, João Colli, afirma que em dias sem vento, a visão dos moradores fica totalmente prejudicada. ''É tanta poeira que você não consegue nem enxergar''. As famílias reclamam que são obrigadas a manter as casas fechadas e mesmo assim, não conseguem evitar a sujeira. ''Tenho que limpar a casa duas vezes por dia. Não pára nada limpo'', reclama a dona de casa Maria Aparecida Flávio, moradora do número 468.
A maior preocupação é com a saúde, especialmente das crianças. A dona de casa Marilene Matos Colli, tem três filhos pequenos que, segundo ela, já sofrem os efeitos da poeira. ''A mais velha, de oito anos tem até sangramento no nariz. O médico disse que é por causa do pó. A de quatro anos já está com problema de rinite''. Também os adultos sentem irritação nos olhos e dificuldades para respirar.
Moradores em casas bem em frente aos exaustores, Mateus Cintra, do número 502 e o vizinho, Paulo Roberto Luis, da casa 414, são os mais afetados pela poeira, mas eles também reclamam do barulho. ''A fábrica trabalha 24 horas e o barulho é insuportável à noite. Eles batem chapas a noite toda e a gente não consegue dormir''.
A reivindicação é que a metalúrgica mude o local dos exaustores e respeite os horários da noite, para que a comunidade consiga descansar. ''Não queremos o fechamento da fábrica. Sabemos que todos precisam trabalhar, mas queremos nosso horário respeitado também'', afirmam os moradores.
Um dos sócios da Metalúrgica Montasa, Alcides Max, informou que a empresa trabalha com jato em granalha de aço, mas que o serviço é feito em cabine hermeticamente fechada, respeitando as normas exigidas. ''Estamos dentro do Parque Industrial há 18 anos. O bairro veio depois. Os funcionários trabalham com equipamentos de segurança e seguimos todas as exigências da fábrica''.
Ele confirma que a empresa precisou lixar algumas peças à noite devido à grande demanda de trabalho, mas que o serviço foi imediatamente suspenso diante da reclamação dos moradores. ''Foi apenas uma noite. Hoje o serviço da noite é só o jato de granalha e uma serra, que não fazem barulho'', garantiu.
Apesar de discordar da reclamação dos moradores, o proprietário afirma que vai instalar filtros-manga nos exaustores para conter a poeira e levantar o muro de 1,5 a dois metros no fundo da fábrica. Questionado se os filtros já não deveriam estar instalados, ele informou que não. ''Estou colocando os filtros por conta própria, para melhorar a situação dos moradores''.
A fábrica emprega cerca de 150 funcionários entre fixos e terceirizados. O proprietário afirma que segue as regras ambientais, inclusive com o plantio de árvores em volta da empresa. ''Gostaria que os moradores também fizessem a parte deles, preservando o local limpo e não jogando lixo nessa área''.
O secretário municipal de Ambiente, Gerson da Silva, não soube precisar se o órgão havia ou não recebido denúncia contra a metalúrgica. ''Quando a empresa apresenta pedido para se instalar e iniciar operação, tem que descrever a atividade, a produção e como serão tratados os efluentes (resíduos gerados). Se ela não tem licenciamento ambiental pode ter atividade suspensa. Se tem, mas está causando problemas, é autuada e obrigada a se enquadrar. Quando o processo apresentado não é o mais adequado, ela também tem que se adequar à legislação'', esclareceu o secretário. O telefone para fazer denúncias à Sema é o 3341-9660.

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