Maurício Borges
Enviado a Arapongas
Ao mesmo tempo em que arboriza a principal avenida de Arapongas, o prefeito José Aparecido Bisca (PFL) tem recebido muitas críticas por um sistema de poda de árvores, considerado muito radical por vários segmentos da comunidade. Técnicos do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em Londrina, também revelam que as reclamações de moradores têm sido muito frequentes.
Anteontem, de passagem pela cidade, o secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Hitoshi Nakamura, admitiu desconhecer o plano de substituição de árvores antigas por outras mais adequadas que está sendo realizado pela prefeitura local. Para ele, quando isso acontece é preciso primeiro plantar as novas árvores e evitar as podas muito drásticas.
Em diversas ruas de Arapongas, árvores mais antigas estão sofrendo uma poda drástica, mantendo-se apenas o tronco e uma parte reduzida dos galhos. Em alguns casos ficam apenas o tronco. Na prefeitura, os moradores obtêm a informação que trata-se de um processo gradativo para substituição de 70% das árvores que estão sob a rede elétrica. ‘‘Se é para substituir, porque dizimar e deixar as árvores desse jeito’’, questionam moradores das ruas Falcão e Perdizes, que preferiram não serem identificados.
O diretor da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Alessandro Filla Rosaneli, explica que Arapongas está desenvolvendo um plano-piloto para renovar sua arborização, em parceria com a Copel e com a supervisão do IAP. ‘‘O projeto é executado pela Copel, que inclusive cede as mudas adequadas para replantio, com a participação do Município em todo o processo’’, informa Filla.
De acordo com ele, a meta é renovar 70% das árvores, com prioridade para aquelas que estão localizadas sob a rede de energia elétrica. ‘‘Trata-se de um projeto-piloto que depois poderá ser utilizado em outras cidades’’, revela Alessandro Filla.
O plano, prevê Filla, poderá trazer várias vantagens como evitar rachaduras nas calçadas, muros e galerias; evitar acidentes com pedestres, inclusive descargas elétricas; e fim dos desligamentos de energia elétrica devido ao toque de folhas nos fios.
O engenheiro florestal do IAP, Mário Mendes, informou à Folha que tem conhecimento do plano que está sendo desenvolvido em Arapongas. Contudo, ressaltou que o IAP não está supervisionando o projeto e nem autorizou podas radicais de árvores.
Mendes disse ter informação de que a prefeitura está recebendo a orientação de uma bióloga da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ‘‘Estamos recebendo muitas reclamações e acho que o pessoal está extrapolando’’, afirmou, acrescentando que nas podas, o ideal é deixar pelo menos 40% das folhas, que são responsáveis pela fotossíntese e ainda pela evolução da árvore.

mockup