Moradores reclamam de não receberem cartas
Moradores reclamam de
não receberem cartas
O comerciante Josué Rodrigues, de 59 anos, precisa caminhar diariamente para entrar em contato com os familiares e fornecedores. Ele mora há oito anos na Vila Autódromo, na divisa entre Curitiba e Pinhais, e nunca recebeu uma correspondência em casa. Não posso receber um cartão de aniversário ou uma relação de preços de fornecedores em casa. O local é isolado. Não tem nada, reclama ele.
Ademir Meneguette, de 39 anos, mestre de obras, diz que o problema é grave. Para receber notícias de alguém, a gente tem que andar um quilômetro e chegar até a agência de caixa postal do bairro. Chegando lá, eles entregam pra gente alguma coisa, mas sempre existe o risco de extraviar, argumenta, tenho que buscar tudo lá, de cartão de crédito a fatura do telefone.
O mesmo problema também é vivido pelo auxiliar de empresas João Batista Pereira, de 42 anos, que mora no bairro há 12 anos. Nunca tive serviço de Correio por aqui. Tenho parentes em Minas Gerais e no norte do Paraná, mas se eu quiser saber deles tenho que ir até um telefone público e gastar muito mais do que eu gastaria enviando ou recebendo uma carta, alega Pereira.
A dona de casa Júlia Machado Lisboa, de 42 anos, também não recebe notícias da família que mora em Campo Mourão há alguns meses. Só fico sabendo deles quando eles viajam para cá ou quando vou para lá. O problema é que ninguém tem dinheiro para fazer viagens e acabamos perdendo o contato, reclama. Além da falta de organização de ruas, o bairro sofre de falta de infra-estrutura na coleta de lixo e no saneamento básico. (L.P.)





