Moradores da rua Bahia, na Vila Recreio (área central de Londrina), estão preocupados com uma construção localizada na esquina com a rua José Dias Aro. Eles alegam que o imóvel está abandonado há pelos menos cinco anos e que se tornou um mocó. À noite, o local seria um refúgio para usuários de drogas, prostitutas e moradores de rua.
''Os homens que ficam aí fizeram duas casinhas no teto da construção, para onde levam as meninas para fazer sexo. Aí também é ponto de droga'', diz um comerciante da região, que preferiu não ser identificado por temer ''represálias do pessoal do mocó''. Ele conta que na semana passada foram furtadas 24 telhas de alumínio de sua propriedade. ''Tenho certeza quase absoluta de que foi gente do mocó.''
A dona de casa Maura de Paula, que mora na região há 13 anos, diz que no local funcionava uma casa de shows e que o grande problema é a sujeira acumulada. ''Há uns meses, durante a epidemia de dengue, pedi para que meu filho derrubasse uma das caixas d'água de lá. É tudo muito sujo, atrai insetos'', diz ela.
Segundo um funcionário de um estabelecimento comercial, há três anos um corpo foi desovado na construção. ''Aí é tudo abandonado, mesmo. Às vezes, junta tanto lixo que não dá pra aguentar o mau cheiro'', critica.
Édina Rocha, uma das coordenadoras do programa Sinal Verde, da Secretaria de Assistência Social, afirma que o problema no imóvel é conhecido. Ela disse que há dois anos foi enviado um pedido à Secretaria de Obras para que o proprietário fosse localizado. ''Infelizmente, não estamos fazendo a abordagem naquele local há uns dez dias porque concentramos esforços num trabalho na avenida Tiradentes, que dura até o final do mês'', diz ela. O secretário de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, disse ontem que precisaria ''pesquisar'' para ver como está o caso.
O chefe da Vigilância Sanitária do Município, Marcelo Viana de Castro, disse ontem que não se lembrava de nenhuma reclamação sobre a casa na rua Bahia, mas que iria procurar informações e hoje iria mandar uma equipe ao local. ''Conforme o tipo de material acumulado, a construção pode se tornar um foco de doenças. Vamos tentar descobrir quem é o proprietário e tomar as providências.''
A Polícia Militar enviou uma equipe para vistoriar o imóvel ontem à tarde, mas não encontrou ninguém no local. Segundo o capitão Altivir Cieslak, caso haja indícios de que a casa abandonada é uma área de crimes, a PM deve tomar medidas. ''Se não houver ato ilícito, não podemos fazer nada. Enquanto forem apenas moradores de rua, é um problema social'', afirmou.

mockup