Moradores reclamam de mato no Jardim da Saudade
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quinta-feira, 06 de março de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Sepulturas cobertas pelo mato alto, sacos plásticos e resíduos de materiais de construção em toda parte. Além desse cenário, quem vai ao Cemitério Jardim da Saudade, localizado na Zona Norte, se depara também com a falta de calçamento.
O comerciante e leitor da FOLHA José Claudio Gomes esteve no local há dez dias no sepultamento de um amigo e se assustou com as condições do cemitério. ''Eu nunca tinha entrado lá antes. Aquilo está horrível, o mato toma conta de tudo, é só entulho para todo lado. Não tem árvores e o calor faz as pessoas passarem mal enquanto esperam o sepultamento. E também não tem calçamento''. relatou.
O mato alto é encontrado do lado de fora e também na área interna do cemitério. No Cruzeiro, a sujeira se acumula. Além de restos de velas, havia muitas garrafas pet, vidros e copos de plástico. A maioria com água, o que pode contribuir para a proliferação do mosquito da dengue.
A vendedora Cláudia Costa Moraes, que fazia a limpeza do túmulo da família, disse que a situação continua igual há três anos, quando ela comprou um túmulo. ''Isso aqui sempre foi assim. É mato alto e muito entulho, ninguém liga mais. A gente tenta fazer a nossa parte, mas o que adianta a gente limpar nosso espaço se o resto fica tudo sujo?''
O Cemitério Jardim da Saudade, o maior da cidade, fica em uma área de 145 mil metros quadrados e tem cerca de 30 mil sepultamentos. Somente dez funcionários trabalham no local, o que dificulta a manutenção de capina, roçagem e outros serviços gerais. Apesar de ser contratado como pedreiro, o funcionário José Mariano, que há 20 anos trabalha no local, é um ''faz tudo''. ''Aqui é muito grande e tem pouca gente para dar conta, por isso não conseguimos manter o mato baixo e limpar toda a área'', comentou.
O superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), Osvaldo Moreira Neto, explicou que grande parte da área do cemitério é composta por grama. Por causa das chuvas do mês de fevereiro, o mato cresceu rapidamente. ''Não tinha como colocar os funcionários para trabalhar na chuva. Também estamos com dois funcionários de licença, fazendo com que o trabalho se acumulasse.'' Segundo ele, o Jardim da Saudade é um dos cemitérios que mais realiza sepultamentos por dia. Com isso, os funcionários priorizam os enterros e deixam os serviços gerais para depois.
Quanto ao Cruzeiro, Neto explicou que é ''complicado'' retirar alguns objetos do local muito rapidamente em respeito às crenças das pessoas. ''Precisamos esperar um pouco e depois retiramos. Estamos com um pedido de concurso na Secretaria de Gestão Pública e a Acesf deve contratar pelo menos 14 profissionais, entre coveiros, motorista funerário e preparador de cadáver'', disse.


