Moradores reclamam de mato alto
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Fernando Rocha Faro<BR> Reportagem Local 
Um quintal mal cuidado é sinal de desleixo e pode ser motivo de desavenças entre vizinhos. Para quem mora no topo de um morro, cercado por áreas públicas, o controle do mato alto deveria ser responsabilidade da administração municipal. Deveria.
A realidade dos moradores da Rua dos Médicos, no Jardim União da Vitória III (Zona Sul de Londrina), é diferente. O matagal fica ao lado das casas. Ou melhor, barracos. E para lembrar da última roçagem do trecho, os moradores têm de puxar pela memória. Alguns garantem que faz pelo menos dois anos que enxadas e roçadeiras enfrentaram o mato aos fundos da via.
Pior para as crianças, que precisam esgueirar-se no meio do colonião para ir e voltar da escola. E não há alternativa. Ou caminham pelas ruas e percorrem um trecho muitas vezes maior, ou descem o morro pelo matagal. E o risco de dar de cara com animais peçonhentos é constante.
No início da semana, uma cobra cruzou o caminho da dona de casa Eliane de Oliveira, 24 anos. Sem querer, pisou no animal e saiu correndo em disparada. Só parou ao alcançar o meio da rua. A ameaça, conta, era preta e com cerca de 30 centímetros de comprimento. O mato está demais. E o pior é que este é o caminho para a escola, para a igreja e para o mercado, lamenta.
Na vizinhança, sobram relatos de casas invadidas por cobras, ratos e aranhas. Os caramujos também são presença constante. Os moradores tentam controlar a praga com cal. Mas não é sempre que há dinheiro suficiente para comprar o produto.
E todos esses obstáculos são driblados todos os dias por cerca de 20 crianças que moram na Rua dos Médicos e estudam nas escolas do União da Vitória. Dia desses, conforme a dona de casa Solange Ferreira Mafra, 37, o barulho de cortadores de grama representou uma esperança. Que durou pouco.
Ela logo percebeu que os responsáveis pela limpeza pública realmente estavam por perto, mas concentravam esforços na parte de baixo do morro. Longe dos anseios e da necessidade dos que vivem na rua. A gente sempre fica para trás, comenta, indignada.
Roçadores
A saída encontrada pela administração para acabar com o mato e com as reclamações dos moradores é cobrar a empresa terceirizada responsável pelo serviço. O diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Paulo Bombassaro, garante, no entanto, que casos pontuais poderão ser atendidos por funcionários públicos.
Reativamos três roçadores da CMTU para este trabalho específico. E a empresa terceirizada contratou mais 30 homens para a roçagem. Com isso, deve estar com cerca de 100 funcionários nesse serviço, adiantou Bombassaro.
A divisão da cidade em três áreas, cujo controle de mato ficará por conta de empresas diferentes, é outra iniciativa da administração interina. A licitação será aberta em breve. O contrato da atual firma terceirizada termina em 18 de março.


