A dona de casa Vera Lúcia Domingues, 45 anos, está colocando à venda a casa onde mora, no Conjunto Roseiras II (Zona Sul de Londrina). Motivo: a fumaça proveniente da Central de Galhos da Prefeitura, instalada na Fazenda Refúgio.
O tempo seco está dispersando a fumaça provocada pela auto-combustão de galhos, raízes e grama decorrentes do abate e poda de árvores da cidade. ''Há 10 anos convivemos com isso. No final da tarde a situação piora ainda mais, já que uma fumaça preta e espessa cobre todo o bairro'', comenta. Os moradores reclamam dos transtornos provocados pela fumaça, como o cheiro ruim que impregna as roupas e a piora dos problemas respiratórios.
Para o filho de Vera Lúcia, Thiago Wesley Virillo, 15 anos, o desconforto é ainda maior. O estudante respira por uma traqueostomia (um pequeno canudo no interior da traquéia), e as crises estão cada vez mais intensas. ''Como ele tosse e espirra muito, precisei aumentar o número de inalações. Com este calor, a casa precisa ficar toda fechada para amenizar o problema'', explica a mãe.
A pensionista Madalena Goulart de Jesus, 84 anos, viu a sua bronquite ficar ainda pior com o tempo seco associado ao excesso de fumaça. ''Passo a maior parte do dia deitada, fazendo inalação'', lamenta. A filha de Madalena, a feirante Nair Aparecida Ferreira, 50 anos, relata que a fumaça deixa os olhos irritados e o nariz e a garganta ardendo.
O assessor técnico da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Ricardo Carrato, afirma que o remanejamento de galhos para o despejo de mais material cria condições favoráveis para a combustão. ''Na tentativa de amenizar a situação estamos utilizando caminhões-pipa para umedecer os galhos e diminuir a fumaça. O tempo seco prejudica muito o nosso trabalho'', constata.
Carrato ressalta a importância da Central de Galhos para evitar o despejo irregular deste material. ''Sem um local para a deposição de galhos e raízes o bota-fora se ampliaria de uma forma muito prejudicial em Londrina''. Cerca de 80 caminhões circulam diariamente pelo local. O assessor explicou ainda que a transferência da central depende da liberação de órgãos ambientais.

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