Moradores reclamam de ferro-velho
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quarta-feira, 30 de junho de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Moradores do Jardim Interlagos, Zona Leste de Londrina, estão preocupados com a quantidade de entulho amontoado em um ferro-velho, ao final da Avenida das Laranjeiras. ''Isto é um perigo para a gente. Tem aparecido ratos e baratas em todas as casas'', disse a dona-de-casa Maria Helena Zapatta Martins, de 54 anos, que mora em frente ao ferro velho. Ela entende que o proprietário tem de fazer o trabalho dele, mas acredita que ali, ''no meio da avenida'', não é o local apropriado. O barulho e a quantidade de pó também é motivo de reclamação dos vizinhos. ''A gente limpa e logo depois está tudo sujo'', disse a aposentada Maria Lopes de Souza, de 68 anos.
Como o entulho fica, em sua maioria, ao ar livre, os vizinhos temem que haja proliferação do mosquito da dengue. A costureira Maria Alves de Souza, de 59 anos, passou por momentos difíceis no ano passado. Ela teve todos os sintomas da doença, mas o caso não foi confirmado. ''Este ano, a minha cunhada pegou dengue também e a dela foi bem pior. O médico chegou a pedir para ela ser internada, mas como ela tem uma criança de colo preferiu ficar em casa'', contou a costureira.
De acordo com o proprietário do ferro-velho, José Valdir Batista, parte do material será prensada e vendida. Porém, não é possível eliminar tudo. ''A lata não acumula água, porque assim que bate um sol seca rápido'', alegou. Ele também informou que a cada 15 dias uma equipe de controle da dengue passa pelo local para aplicar veneno na montanha de entulho.
Já a gerente de Epidemiologia da secretaria municipal de saúde, Sônia Fernandes, disse que o ferro-velho tem um acompanhamento especial e o risco de desenvolvimento da larva é igual ao de qualquer residência. Ela confirmou que a aplicação de inseticidas e larvicidas é constante em pontos como este, considerados estratégicos. ''Hoje são 388 pontos, entre eles também está o autódromo'', disse Sônia. Ela garantiu que a névoa do inseticida tem condições de penetrar nas montanhas de ferro-velho, já o larvicida não. Mesmo assim, ressaltou que estes locais têm atenção redrobada.
Segundo informações do setor de Epidemiologia, este ano foram 31 casos notificados na Unidade Básica de Saúde da região, dos quais 28 já foram descartados e três ainda estão sendo analisados. Até o último mês, foram registrados em Londrina 12 casos de dengue, sendo 9 importados e três autóctones (contraídos no município). A média de infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, no Jardim Interlagos foi de 5,34%, superior a média da cidade, 3,08%, referente ao período de abril e maio.


