Moradores reclamam de feira de carros
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Moradores do Parque Alvorada (Zona Oeste de Londrina) enviaram na semana passada um abaixo-assinado à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e ao 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) para exigir providências sobre uma feira de automóveis que é realizada na Praça Avelino Vieira, entre as ruas Bauru e Araçatuba, todos os domingos pela manhã. Membros da comunidade alegam que o evento traz uma série de transtornos: tráfego problemático, veículos em estacionamento irregular, som alto e sujeira.
A auxiliar administrativa Rita de Cássia Bobroff afirma que o trânsito na região fica caótico. ''Se preciso chegar até a Avenida Tiradentes, faço a volta ao invés de seguir direto a rua (Bauru). Outro problema é que domingo é dia de receber parentes e não dá pra fazer isso porque não tem onde estacionar carro'', disse ela.
O supervisor de vendas Eloy Hernandes Gomes disse que o som, além de alto, começa cedo. ''O problema dessa feira é que começou como uma coisa simples e ficou grande demais. Vem carro de todo lugar. Já vi placa até do Mato Grosso aí.''
Na manhã do último domingo, o desempregado Antônio Carlos Sanches estava impossibilitado de tirar seu Fusca da garagem: um Corsa e um Gol ocupavam a frente do portão. ''Moro aqui há mais de 20 anos. A feira não atrapalharia se houvesse fiscalização. A polícia passa e quem está com o carro parado em lugar proibido sai. Aí, quando a viatura vai embora, voltam a estacionar errado'', apontou.
O contador José Ribeiro mora no Parque Alvorada há 25 anos. Ele diz que aos domingos o barulho na região começa cedo, com os primeiros carros e comerciantes de lanches, e a partir daí não há mais sossego. ''Depois, quando vão embora, fica tudo sujo. Eu acho que essa feira não pode continuar. Coloquei a casa para vender por cerca de um ano e não consegui fechar negócio. Os interessados descobriam que tinha a feira aos domingos e desistiam'', contou ele.
Eloy Gomes cita que a feira não traria problemas se o som começasse mais tarde e fosse mais baixo, e se o poder público fiscalizasse o trânsito na região. No último domingo, a reportagem da Folha pôde constatar que os abusos são frequentes. Além de carros estacionados na frente de portões e em esquinas, havia veículos parados dentro do único ponto de ônibus nos arredores.
A feira, que teve início em meados da década passada, surgiu a partir de proprietários de automóveis interessados em aproveitar o movimento de uma outrafeira que acontecia também todos os domingos de manhã a princípio no estacionamento do Shopping Com-Tour e, depois, no estacionamento do Armazém da Moda. A feira ''principal'', que cobra entrada dos proprietários de carros interessados em vender seus veículos e é transmitida pela televisão, foi transferida há poucas semanas para o Shopping Catuaí. A feira paralela continuou, e, segundo os vendedores, permanece sem controle: não há administração nem cobrança para participação.


