Moradores reclamam de estrondos e tremores
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terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Rafael Souza<br> Reportagem Local
Eram 6h20 quando a dona de casa Jeane Cristina de Souza, moradora da Rua Almirante Tamandaré, no Jardim Petrópolis (zona sul de Londrina), acordou assustada com um barulho que assemelhava a um grande trovão. "Minha cama tremeu, foi uma coisa bastante assustadora. O que era sinceramente não sei, mas foi muito forte e balançou tudo", contou.
Vários londrinenses tiveram o sono interrompido pelo forte estampido ontem. Moradores de diversos bairros ouvidos pela reportagem relataram terem ouvido o mesmo barulho, que deixou a todos bastante intrigados. A dona de casa Fernanda Trento revelou que não foi a primeira vez que sentiu o tremor. "Já tinha ouvido outras (vezes), mas dessa vez foi muito mais forte", relatou. "É um estrondo que vem debaixo, foram três muito fortes, tremeu tudo, as janelas balançaram. Pensei até que fosse um terremoto mesmo, minhas filhas acordaram com medo, fui ao quarto delas, nos juntamos e ficamos só esperando para ver o que ia acontecer. Quando saí na rua, estava todo mundo nas janelas dos prédios tentando descobrir o que teria acontecido", continuou.
A dona de casa contou que dessa vez o tremor foi suficientemente forte a ponto de provocar mais rachaduras na casa onde mora, na Rua Clóvis Beviláquia, no Petrópolis. Na despensa, a junção entre duas paredes abriu cerca de meio centímetro, do chão ao teto. A residência já possui outras rachaduras, segundo ela, causadas nos últimos temporais registrados na cidade.
No mesmo horário, moradores do Jardim Califórnia (zona leste), na Rua Comandante Ismael Guilherme, distante cerca de três quilômetros do Petrópolis, o barulho também acabou com o sono e a paciência dos moradores. Eles relatam que ruídos mais leves já eram sentidos há alguns dias. "O primeiro mais forte foi no sábado, por volta das 17h30. O aposentado Osvaldo da Rosa diz que o início dos barulhos mais fortes coincide com o término de uma obra realizada pela Sanepar a duas quadras da sua casa. "Quando comecei a notar os primeiros, comecei a ficar acordado à noite e escutei uns barulhos mais leves. Ontem começou por volta das 4h50 e deu uns dois ou três mais fracos antes desse mais forte. E depois ainda propagou pelo menos mais seis seguidos", pontuou.
O professor aposentado Fernando Prado de Andrade, também morador da Rua Comandante Ismael Guilherme, recordou que logo que ouviu o primeiro estrondo mais forte, ainda no sábado, tentou contato com alguns órgãos, mas ficou sem ajuda. "É um descaso", reclamou.
Agentes da Sanepar estiveram no local na manhã de ontem, mas não identificaram o que estaria causando o problema. "Engraçado que depois que eles vieram não teve mais nada. Eles falam que não é tubulação, mas acredito que é, sim. Foi depois que eles fecharam o buraco aberto para as obras que os tremores mais fortes começaram", disse Osvaldo da Rosa. A assessoria de imprensa da empresa negou também que os barulhos tenham origem em suas tubulações.
O coordenador da Defesa Civil, Demerval Anderson do Carmo, informou que até o início da noite de ontem técnicos da Sanepar ainda faziam análises no Jardim Califórnia em busca de possíveis causas. Segundo ele, os profissionais passariam a madrugada período no qual os barulhos são mais constantes, de acordo com os moradores realizando testes na tubulação. "Estamos tentando primeiro com a Sanepar, que é a empresa que possui mais equipamentos naquela área. Se não apontar nada, vamos acionar outros profissionais, como geólogos, para tentar encontrar a causa. Temos que ir por descarte, pois ainda não temos qualquer indício", apontou.
Uma moradora do Jardim Cafezal 1 (zona sul) também relatou à reportagem ter ouvido estrondos na noite de domingo. No entanto, nenhuma reclamação de moradores do local chegou à Defesa Civil.
Enquanto nada se resolve, a sensação entre os moradores é de insegurança. "É uma coisa séria. A gente fica na expectativa e se perguntando o que vai acontecer na próxima madrugada", disse Fernando Prado de Andrade.(Colaborou Guilherme Batista/Equipe Bonde)