Atravessar o cruzamento da Avenida Paul Harris com a Rua Sacadura Cabral, no Jardim Aeroporto (Zona Sul), se tornou tarefa das mais difíceis e perigosas para os moradores e comerciantes do local. Nos horários mais movimentados, então, o pedestre que se atrever a cruzar o local precisará não apenas de atenção, mas também de uma boa dose de coragem.
A descrição feita por um grupo de moradores e comerciantes do local pode ser conferida pela reportagem da Folha, que constatou grande número de motoristas em alta velocidade e ausência de faixas para a travessia de pedestres. De acordo com os moradores, a tranquilidade da área foi embora há mais de um ano, quando a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) transformou a rua Sacadura Cabral de mão dupla para sentido único.
''Em menos de 15 dias tivemos dois acidentes graves aqui, por conta do excesso de velocidade. Quase fui atropelado; não sou capaz nem de andar com meu neto aqui, sem medo: o pessoal não respeita'', contou o dentista Paulo Cesar Jorge, 70. Para o aposentado João Bezerra Lima, 69, nem o abaixo-assinado entregue recentemente à CMTU surtiu efeito. ''Precisa de um semáforo aqui, com urgência'', disse.
Outro problema apontado pelos moradores, com a mudança de sentido da via, é o fato de motoristas entrarem em contramão, da Sacadura, vindos da Avenida Santos Dumont. ''Nunca vemos fiscais de trânsito por aqui, e esse tipo de colisão frontal tem ocorrido com certa frequência devido à imprudência dos motoristas muitos vêm correndo do Hospital Universitário (HU) e não respeitam a sinalização '', relata o juiz aposentado Carlos Navolar, 69.
Para o gerente de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, a conversão para mão única garante mais fluidez ao tráfego de veículos. Mesmo assim, admite: ''As pessoas se sentem mais livres para extrapolar no velocímetro''. Por outro lado, Grotti Junior descarta a instalação dos semáforos reivindicados pelos moradores ''é caro e atrapalharia o tráfego'', justifica , mas adianta que já solicitou ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) que a sinalização seja intensificada com tachões e rotatórias no cruzamento com a Paul Harris. ''A alternativa mais viável no momento é que o motorista tome consciência de seus limites'', alertou. Sobre a falta de fiscais, foi taxativo: ''Temos hoje um efetivo de 55 fiscais, falta gente. Não dá para ter um profissional em cada área da cidade''.
Para o ano que vem, segundo o gerente, estão sendo estudadas duas alternativas para dez pontos críticos do trânsito de Londrina (um deles, por exemplo, é o da Rua Bahia): o aumento das sinalizações horizontal e vertical e a instalação de lombadas eletrônicas. ''A população tem pedido demais essa medida, provavelmente ela venha em 2004'', comentou.

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