Moradores reclamam de bueiros entupidos
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terça-feira, 30 de outubro de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Basta um dia de chuva para que a história se repita. Com o bueiro entupido, o lixo transborda no cruzamento das ruas Pessegueiro e Castanheira, no conjunto Charruá (zona oeste de Londrina) e mais uma vez o porteiro Odacir Wagner Ferreira e outros moradores do bairro são obrigados a conviver com o cheiro de esgoto, entulhos, embalagens de alimentos, garrafas pet e folhas que impedem o escoamento da água.
O problema enfrentado pelo porteiro é o mesmo de moradores de vários regiões de Londrina, que frequentemente sofrem com o entupimento dos bueiros. Desde março deste ano, o único caminhão da prefeitura, responsável pela limpeza dos bueiros, está parado por problemas na bomba de sucção.
''É um desleixo total, tanto dos próprios moradores que jogam lixo sem o menor respeito pelo espaço em que eles convivem, quanto da prefeitura, que sabe do problema e não faz nada'', desabafa Ferreira, morador do bairro há cerca de 40 anos.
A professora Édina Loyde, moradora na mesma rua há 30 anos, confirma: ''jogam peças de roupa, restos de materiais de construção e eletrodomésticos. A gente chega até a ligar para a prefeitura, mas ninguém vem''.
Na Rua Manoel Canuto Gouveia Filho, no Jardim Primavera (Zona Norte), é a quantidade excessiva de areia dentro dos três bueiros que tem impedido o escoamento da água. Alguns bueiros, completamente tomados pela areia e mato, ficam totalmente escondidos. O pastor Rodinei Aparecido, que é morador do bairro há cerca de 10 anos, conta que o problema persiste há pelo menos oito anos, quando as casas começaram a ser construídas, após o loteamento.
''Desde aquela época, a gente já pedia para que viessem limpar aqui, porque a areia estava descendo e nada foi feito. A gente só não tem maiores problemas porque a rua é uma descida e a água acaba indo para o fundo de vale, junto com as folhas e galhos'', afirma Aparecido, enfatizando a dedicação dos moradores para manter a rua limpa. ''Apesar das inúmeras dificuldades que a gente tem aqui, os moradores fazem o possível para manter tudo limpinho.''
E não são só nos bairros periféricos que o entupimento dos bueiros tem causado transtorno. A reportagem da FOLHA encontrou vários bueiros entupidos na área central, um deles localizado na esquina da Avenida Souza Naves e a Rua Cambará.
''Está assim há mais de uma semana e sempre que chove é a mesma coisa. Junta água e forma uma poça enorme, os carros passam e molham os pedestres'', conta a dona de casa Juraci Fernandes Kawano, que passa frequentemente pelo local e fez questão de mostrar o problema. ''Se todo mundo colaborasse, a situação não ficaria assim, mas o problema é que ninguém está nem aí. Eu sempre vejo alguém jogando pacote de salgadinhos, canudinho, papel de sorvete.''
Educação
O secretário municipal de Obras, Ossamo Kaminagakura, garantiu que o caminhão responsável pela limpeza dos bueiros deve voltar a funcionar até o final de novembro. Segundo ele, a demora para o conserto da bomba de sucção tem como causa a falta de recursos. Ele explicou que desde março, nos casos mais urgentes, a limpeza tem sido realizada manualmente pelos funcionários da secretaria.
Sem especificar quantos bueiros chegam a ser desentupidos diariamente pela secretaria, ele afirmou que nos períodos seguintes às ocorrências de chuvas o número de reclamações triplicam, chegando a nove ou dez queixas diárias.
Kaminagakura acrescentou ainda a importância da população também se comprometer com a limpeza das ruas. ''É uma questão de educação, não basta a secretaria realizar o desentupimento e os moradores continuarem jogando lixo. Estamos em um período de bastante chuva e o problema tende a piorar'', disse.


