Funcionando há quatro meses sem alvará, uma indústria de beneficiamento de alho virou alvo de reclamações dos moradores da Zona Norte de Londrina. O cheiro do produto estaria provocando mal-estar entre os vizinhos, incomodados com o fato de a indústria não ter respeitado a Lei de Zoneamento do Município para se instalar no local. A fábrica está funcionando graças a uma liminar da Justiça.
Encabeçados pelo representante comercial José Duo, os moradores do Jardim Beleville listaram uma série de reclamações relativas ao funcionamento da Santa Maria A. Alho. A fábrica, instalada ao lado da casa de Duo, emprega 12 funcionários. ''O cheiro vive nos provocando náuseas e irritação nos olhos. Outro dia, tive que dispensar o pedreiro da reforma da minha casa porque ele passou mal'', contou o representante comercial.
''Com clima de chuva, piora tudo'', afirmou a dona-de-casa Cristina da Silva. ''O cheiro fica tão forte que nem conseguimos comer. Fica tudo impregnado'', completou, com apoio do motorista aposentado Sebastião da Silva Melo. ''Moro a 100 metros daqui, mas o problema é grave do mesmo jeito'', disse ele.
Incomodados com o vizinho, os moradores organizaram um abaixo-assinado com 92 nomes e encaminharam à Secretaria Municipal de Fazenda, Instituto de Pesquisa e Planejamento de Londrina (Ippul), e Instituto Ambiental do Paraná (IAP), pedindo providências. José Duo, inclusive, apresentou um parecer técnico do Ippul, apontando que a fábrica está desrespeitanto a Lei de Zoneamento ao se instalar no bairro, considerado residencial. O documento foi reconhecido como legal pelo presidente do Instituto, Luiz Figueira de Melo.
O advogado dos donos da fábrica, Luiz Gaya, admite que a Santa Maria A. Alho funciona sem alvará desde novembro do ano passado, quando precisou mudar de endereço. ''O bairro sempre foi reconhecido como industrial. Por isso os donos pensaram que não teriam problemas com a mudança. Também temos um abaixo assinado com 100 nomes de moradores que não se opõem ao funcionamento'', disse.
Notificados pela prefeitura em janeiro sobre a possibilidade de interdição, os empresários entraram com um pedido de liminar, que foi deferida pelo juiz da 6 Vara Cível de Londrina, Mário Azollini, sob o argumento de que a prefeitura não teria justificado corretamente o fechamento do local. Segundo o gerente interino de concessões de atividades econômicas da secretaria de Fazenda, Olavo Azevedo, a prefeitura está tentando a cassação da liminar. ''Assim que a decisão for revogada, interditamos a fábrica'', afirmou.
Gaya reconhece que a permanência da empresa no Jardim Beleville depende exclusivamente de uma decisão judicial. A ação, que agora corre no Tribunal de Justiça, em Curitiba, não tem prazo para conclusão.

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