Moradores reclamam: ''Cidade pode ficar sem pulmão''
''A praça é um bem público e nunca deveria ser doada nem vendida'', afirma com convicção a professora Maysa Petri, de 46 anos. Ela mora em frente à praça de 6.300 m2 do Jardim Alcântara (zona sul) que está no centro de uma discussão judicial desde o início do ano passado. Por iniciativa da prefeitura, a Câmara Municipal aprovou em dezembro de 2005 a doação da área para uma família de feirantes como forma de indenizá-la pela desapropriação de um terreno na avenida Airton Senna - à espera de duplicação. Uma ação impetrada pelos moradores impediu que a operação se consumasse. O caso está pendente de julgamento no Tribunal de Justiça (TJ), em Curitiba.
''É uma coisa ilegal, vergonhosa. Eu acho que a praça é uma reserva de área verde numa cidade grande como a nossa, mas isso está ficando para trás'', criticou. ''Cada vez mais as crianças vão ficando sem área de lazer e confinadas em seus quintais''.
O empresário Antônio Brassal, de 49 anos, tem uma empresa vizinha à praça de 7.300 m2 do Parque Industrial Kiogo Takata repassada a um particular a título de indenização por desapropriação de uma outra área. Os vizinhos do local também entraram com ação judicial e conseguiram embargar a operação. ''A prefeitura doa, vende, faz tudo que quer com as praças. Mas nós vamos até as últimas consequências para impedir. Dentro de um parque industrial, a praça é imprescindível para manter o equilíbrio. Do jeito que as coisas vão, a cidade corre risco de ficar sem 'pulmão' no futuro. Se alguém não fizer alguma coisa, vai tudo para o beleléu'', reclamou.(F.C.)





