Moradores recebem casas da Cohab sem água
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domingo, 20 de março de 2005
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Ontem foi dia de mudança para a doméstica Maria Nilza da Silva, 29 anos, a mais nova moradora do Jardim Primavera, na Zona Norte de Londrina. Em meio à bagunça de caixas e móveis ela deveria se ocupar apenas com a arrumação da nova casa, mas tinha mais uma preocupação: como cozinhar, tomar banho, lavar a louça, limpar o barro do piso se ainda não há água na casa?
É o mesmo dilema enfrentado pelas dezenas de famílias que se mudaram na semana passada para o conjunto recém-entregue pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) e encontraram as residências sem ligação de água e esgoto. Segundo Maria Nilza, metade das 53 casas do Jardim Primavera começou a ser ocupada na última quarta-feira. São famílias que estão sendo removidas do assentamento Vale do Sol, localizado ao lado ao novo conjunto.
''Fazia quase dois anos que o pessoal aguardava por essas casas. Pelo que sei, o conjunto deveria ter sido inaugurado no sábado passado, e como estava atrasando demais os moradores pressionaram a Cohab e ela entregou tudo desse jeito mesmo'', contou a doméstica, que se mudou com marido e três filhos para a residência. A solução provisória, admitiu Maria Nilza, foi fazer uma ligação clandestina para garantir o abastecimento de água. ''Sei que eles não vão gostar, mas não tinha outro jeito'', disse.
Para o pedreiro Márcio José dos Santos, 27 anos, a Cohab se apressou em entregar as chaves porque não queria mais se responsabilizar pela segurança das casas. ''Mesmo sem saneamento básico, tivemos que nos mudar para não deixar as casas a mercê de vândalos ou ladrões. Agora temos que ficar carregando baldes, pedindo ao mestre de obras (responsável pela construção das casas) para usar o cavalete geral de água. Até no assentamento a situação estava melhor'', criticou. Santos também reclamou que apenas algumas casas foram separadas por muretas. ''O terreno é todo irregular e se eu fizer uma limpeza a lama cai direto na porta da casa vizinha.''
O presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, disse que a pressa na entrega das casas foi motivada pelo temor de invasões e ocupações irregulares. ''Nosso medo era que chegasse o feriado e ninguém tivesse se mudado ainda, facilitando as ocupações irregulares. Além do mais, a pressa é também dos moradores'', sublinhou. ''Provavelmente as ligações de água serão feitas amanhã (hoje). Quanto à construção de muretas, demos preferência às casas que estão em maior desnível, porque são essas que correm o risco de desbarrancar com a chuva'', explicou.


