Curitiba - As vias de acesso ao aterro do Caximba pela BR-116 foram interditadas, durante toda a manhã de ontem, por cerca de 100 moradores do bairro. Entre as reinvindicações, os moradores não querem a implantação do Sistema Integrado de Processamento e Aproveitamento de Resíduos (Sipar), que permitiria o prolongamento da vida útil do aterro, e uma audiência pública para resolver os passivos ambientais. Os caminhões de lixo foram impedidos de entrar para a descarga de resíduos e liberados somente às 14 horas. O protesto foi organizado por representantes da comunidade e de movimentos religiosos.
De acordo com o Instituto Ambiental do Paraná, o consórcio responsável pela gestão do lixo, formado pela Prefeitura de Curitiba e outros 15 municípios da Região Metropolitana, foi notificado há um ano que o Caximba não teria mais condição de receber detritos e que deveria ser lacrado. ''Nesta semana sairá o licenciamento dos locais escolhidos pelo consórcio'', comenta o presidente do IAP, Vitor Hugo Burko ao afirmar que a licitação do consórcio está em fase técnica.
O aterro do Caximba poderá ser substituido por espaços em Fazenda Rio Grande ou Mandirituba. Os dois municípios e a Caximba foram escolhidos pelo consórcio após uma consultoria da empresa Mineropar contratada pelo IAP, segundo Burko.
O protesto é o segundo em três dias. ''A prefeitura de Curitiba teve 20 anos para procurar outro local e agora diz que não sabe onde por o lixo? Isso é descaso com a população'', afirma o presidente da Aliança para o Desenvolvimento Comunitário da Caximba (Adecom), Jadir Silva de Lima.
De acordo com o coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, Saint-Clair Honorato Santos, o aterro está saturado por falta de espaço e segurança ambiental. Ele conta que, desde 2004, o Ministério Público (MP) estadual vem discutindo com os municípios medidas para diminuição do volume de lixo despejado no aterro.
O secretário municipal do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto, acredita que a lentidão para liberação do licenciamento pelo IAP é o principal fator para definir qual cidade receberá a nova usina de reciclagem de resíduos sólidos. O IAP prometeu divulgar o licenciamento de Mandirituba, Fazenda Rio Grande e no Caximba ainda nesta semana.(Colaborou Diego Ribeiro)

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