Moradores reagem à idéia de construir prisão no Acapulco
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quarta-feira, 26 de março de 1997
Lucília Okamura 
Josoé de CarvalhoNada dissoMoradores do jardim Acapulco protestam na Câmara: idéia de fazer prisão no local encontra resistênciaMoradores do jardim Acapulco (zona sul) já começaram a se mobilizar contra a idéia da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania de erguer um anexo à Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), que serviria, inclusive, para abrigar presos provisórios. Ontem à tarde, um grupo de moradores esteve reunido com o vereador Célio Guergoletto (PMDB) pedindo providências para que a sugestão, dada ao prefeito Antonio Belinati anteontem, não seja levada adiante.
A área em questão, de cerca de 10 mil metros quadrados e pertencente ao Município, já foi objeto de muita polêmica. Em 1995, o local havia sido escolhido para abrigar a Cadeia Pública e o terreno seria doado ao governo do Estado. Mas a doação não se concretizou por pressão dos moradores, que entendem que a cadeia levaria insegurança ao bairro, já que por lá circulariam pessoas indesejadas.
Anteontem, a destinação do terreno e a sua doação ao governo voltaram a ser discutidas entre o secretário de Justiça, Edson Vidal, e o prefeito. O secretário evita dar detalhes sobre o projeto, alegando ser apenas uma sugestão, que precisa ser analisada profundamente antes de se concretizar.
Mas o secretário adianta: a prisão seria um anexo da PEL, para que os detentos pudessem trabalhar e onde também poderiam ser colocados alguns presos provisórios. A PEL está sufocada e os presos precisam trabalhar, ressalta.
Edson Vidal explica que o anexo seria administrado pela secretaria de Justiça. Foi uma sugestão que eu dei, mas que ainda não foi levada ao governador Jaime Lerner, observa. Sobre as reclamações dos moradores, o secretário afirma que o governo do Estado não tem intenção de impor nada à comunidade. A idéia será viabilizada, explica, à medida que houver um consenso entre o Estado, município e a população.
O secretário observa que o anexo não tem nada a ver com o projeto da Cadeia Pública, prevista para ser erguida em uma estrada do distrito de Maravilha (zona sul). A construção da cadeia, que serviria para desafogar os distritos policiais, está sendo coordenada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública. O terreno foi doado pelo empresário Luiz Roberto Ferrari, logo após a polêmica levantada pelos moradores do jardim Acapulco.
Temendo que a área volte a ser destinada a uma obra para abrigar presos provisórios, os moradores já começaram a se mobilizar. Eles alegam que foram pegos de supresa ao ler a notícia sobre a construção do anexo e foram conversar com o vereador Célio Guergoletto. Hoje (ontem), a comunidade do bairro amanheceu alvoroçada, afirma o tesoureiro da Associação dos Moradores dos jardins Acapulco e Del Rey, Ademildo Passos Correia.
Célio Guergoletto tranquilizou os moradores, explicando ter um projeto de lei que prevê autorização da Prefeitura para que a área em questão seja utilizada pela Associação dos Moradores do bairro. O projeto, que já passou por duas comissões da Câmara, deve entrar na pauta de votação no dia 3 de abril.
Na opinião do vereador, se este projeto for aprovado, acaba a polêmica com relação ao terreno. Ele garante ainda que a Câmara não tem interesse em aprovar nenhum projeto encaminhado pelo Executivo, doando o terreno para o governo. Já presenciamos a revolta daquela comunidade, justifica. Ademildo Correia informa que a associação quer construir um centro comunitário no local.
Os moradores tentariam ainda marcar uma audiência com o prefeito para esclarecer o assunto e também cobrar uma promessa feita quando ele ainda era candidato. Eles mostraram uma cópia de uma garantia por escrito dada por Antonio Belinati, em setembro do ano passado. Eleito prefeito, não doarei nenhum terreno para construir Cadeião próximo da moradia de nossas famílias, diz um trecho da carta.
A Folha não conseguiu falar com o prefeito ontem à tarde - ele estava em reunião. Em entrevista concedida anteontem, após conversar com o secretário, Antonio Belinati admitiu a possibilidade de doar o terreno para o governo. Mas ressaltou também que não poderá contrariar a população.


