Moradores questionam corte de árvores
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quarta-feira, 20 de agosto de 2003
Herika Fondazzi<br>Reportagem Local 
O aposentado Geraldo Gomes dos Reis, 56 anos, mora na mesma casa, na Rua Jacarandá, no Jardim Santa Rita (zona oeste de Londrina), desde 1984. Apaixonado por plantas, cuidou com carinho da árvore que ficava em frente à sua casa e que quase caiu durante um vendaval no ano de 1986. Mas a história de seu Geraldo e sua árvore acabou na última segunda-feira, quando uma equipe de uma empresa contratada pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema) abateu a planta, mesmo sobre protestos do morador.
O corte faz parte de um plano da Sema, que pretende podar e, se necessário, cortar 110 mil árvores em toda a cidade nos próximos 15 meses. Cinco técnicos da Sema estão vistoriando as árvores e determinando aquelas que precisam de poda e as que devem ser derrubadas. De acordo com o diretor-operacional da Sema, Gérson Galdino, alguns critérios são seguidos para realizar os abates. ''As árvores que estão comprometidas são frutíferas e da espécie Ficus, que danificam as calçadas, precisam ser arrancadas'', explicou. Já as podas são feitas para evitar problemas com as fiações e atrapalhar a trânsito de pedestres.
Seu Geraldo tinha várias plantas medicinais plantadas junto à árvore e não se conforma com o corte, já que ela não se enquadra no perfil daquelas que devem ser abatidas. ''Quebraram um monte de planta minha. Tenho guaco aqui e ele vai morrer por causa do sol'', acrescentou.
A reclamação mais comum entre os moradores que tiveram as árvores em frente de suas casas cortadas é a falta de sombra. A dona de casa Nilva Terezinha Loose, 43 anos, não entende a atitude da Sema. ''Se a gente corta um galho e alguém reclama, a gente é multada. Daí vêm eles e cortam a árvore inteira. Acho errado'', reclamou.
Alguns moradores do bairros gostaram dos cortes e acreditam que as ruas ficarão mais iluminadas e afugentarão os bandidos, além de melhorar a visualização de placas de trânsito. O corretor de imóveis Vicente Carvalho, 63 anos, não teve cortada a árvore em frente à sua casa, mas disse que não acharia ruim se isso acontecesse. ''Por causa das árvores muito grandes, tem muito bandido que fica escondido atrás delas e dificulta a segurança do bairro'', comentou.
Galdino disse que cerca de 250 árvores serão abatidas no bairro e os técnicos estavam determinando que nas casas onde houvesse duas espécies plantadas, a maior seria arrancada. ''Essa atitude será revista e não iremos mais abater árvores por esse motivo'', afirmou. A Sema irá plantar outro tipo de árvore no lugar das que foram abatidas em um prazo de 30 dias. ''Também pretendemos plantar árvores nas casas onde elas não existem. O objetivo é plantar três árvores para cada uma arrancada'', completou.


