Moradores querem regularização de bairro
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quinta-feira, 26 de junho de 2003
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
Os cerca de 320 moradores do Jardim Novo Amparo II (zona norte) ameaçam acampar em frente à Prefeitura de Londrina, caso a regularização do bairro não seja decidida pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohab) o mais rápido possível. No assentamento, faltam saneamento básico, asfalto e casas de alvenaria. As 65 famílias do Novo Amparo II sobrevivem com dificuldades, sem água e esgoto. Mesmo com tantos problemas, a comunidade luta para oficializar o bairro desde 1999, quando os primeiros barracos foram erguidos próximos à linha férrea.
Depois de conseguir benefícios das secretarias de Saúde e Assistência Social, os moradores querem adiantar o projeto de loteamento junto à Cohab. O presidente da Associação de Moradores do Novo Amparo II, Milton Pereira, 32 anos, está revoltado com a indefinição da companhia. ''Já estamos com as plantas (arquitetônicas) prontas, com demarcações dos lotes e das redes de água e luz. Se dentro de duas semanas não tivermos uma definição, vamos encher quatro ônibus e levar o povo para acampar na prefeitura'', ameaçou.
Há 40 dias, o presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afosenca e Silva, havia dito à Folha que as obras de infra-estrutura começariam em junho, o que não ocorreu. Dessa vez, o presidente da Cohab reafirmou que o projeto está em ''fase final''. ''Ainda precisamos desapropriar uma faixa de 7,5 metros, pertencentes a particulares, para fazermos a entrada do bairro e garantir a passagem das redes elétrica e de esgoto. O problema é que estamos aguardando um comunicado do Ministério das Cidades sobre o valor do repasse para a construção das casas.''
Pereira disse esperar que o projeto saia do papel o mais rápido possível. ''Acreditarei somente depois de ver as máquinas trabalhando. Queremos acabar com essa imagem feia que as pessoas as pessoas têm do bairro'', comentou, lembrando que o futuro conjunto mudará de nome: Jardim Felicidade.
A falta d'água e de pavimentação das ruas literalmente pesa na vida dos moradoras. ''Temos só duas caixas d'água para abastecer a gente. As mulheres daqui estão com bursite, dor nas costas e nas pernas de tanto carregar lata na cabeça'', criticou Lucinéia Teodoro Pedreiro, 30, enquanto enchia um galão de 100 litros.
A Secretaria de Obras informou que vai analisar o projeto e verificar a possibilidade de enviar um caminhão de pedras para espalhar sobre as vias. A Sanepar está aguardando o fim das desapropriações para definir a implantação da rede de água e esgoto.
Outra preocupação é com a conta de luz. A Copel autorizou uma ligação provisória em um único ponto de distribuição no início do ano, mas emitiu a fatura no mês passado, de R$ 1,1 mil. ''O pessoal da Copel foi compreensivo e prorrogou o pagamento. Mas apesar de não chegar a R$ 20,00 por casa, muitos pais de família estão tendo dificuldades para honrar o compromisso'', lamentou Pereira.
A assessoria de comunicação da Copel confirmou que o assentamento está no programa Luz Comunitária (um poste com medição serve para todos os moradores), aceitou a renegociação da dívida e informou que o projeto para implantação da rede está em andamento.


