Arquivo FolhaImpasse na ruaA feira da Alagoas, que existe há mais de 40 anos: abaixo-assinado pede mudança de barracas Vizinhos querem mudar o local de 11 barracas da feira livre que funciona às quinta-feiras e domingos na rua Alagoas (área central). Esta é a reivindicação de moradores do Edifício Castelloforte - localizado naquela rua, entre a Professor João Cândido e avenida São Paulo - e alguns comerciantes vizinhos. O pedido foi feito à Companhia de Urbanização de Londrina (Comurb), no final de setembro, através de um documento assinado por 112 pessoas.
As pessoas se sentem prejudicadas no direito de entrar e sair de automóvel do prédio e das lojas nas manhãs de funcionamento da feira. O advogado e síndico do Castelloforte - edifício inaugurado há pouco mais de um ano -, Osvaldo Motta, esteve ontem na Redação da Folha para explicar que os moradores não têm a intenção de prejudicar os feirantes, mas garantir ‘‘o direito constitucional de ir e vir dos cidadãos e famílias residentes naquela parte da Alagoas’’.
Segundo Motta, o remanejamento das barracas - só de um lado da rua, porque do outro é a calçada do Cemitério São Pedro - para mais perto da avenida Rio de Janeiro, na própria Alagoas, não traria prejuízo aos 11 feirantes. ‘‘Não queremos brigar com os feirantes, que são trabalhadores sérios, honestos e vendem produtos de ótima qualidade. Nós somos clientes deles. As reclamações contra o trânsito dos carros dos moradores não partem dos feirantes, mas sim dos consumidores que lotam a rua e impedem, muitas vezes, a passagem’’, reclama o síndico.
Ele conta que as dificuldades para o trânsito causam grandes transtornos aos moradores e profissionais liberais. ‘‘Outro dia, um médico recebeu uma chamada de emergência e não conseguiu sair do prédio de automóvel’’, comenta Osvaldo Motta. Na opinião dele, a proposta de funcionamento das barracas em apenas um lado das ruas deveria ser adotada pela Comurb em todas as feiras livres da Cidade.
Anteontem, o assessor comercial da Comurb, Jonas Vieira da Silva, se reuniu com representantes do condomínio e feirantes.‘‘Não houve acordo. Os feirantes não aceitam o remanejamento das barracas, dizem que teriam prejuízos econômicos. Eles alegam ainda que a feira funciona ali há mais de 40 anos, e que os moradores do edifício sabiam da existência dela quando compraram ou alugaram os apartamentos’’, afirma o assessor.
De acordo com ele, naquela feira livre - uma das maiores e mais antigas de Londrina - funcionam cerca de 120 barracas às quintas-feiras e quase 140 nos domingos. ‘‘Não é verdade que o trânsito fica impedido naquele trecho da rua durante as feiras. No último domingo, nossos fiscais comprovaram o que já se sabia: há dificuldades para a entrada e saída de automóveis, mas não chega a ocorrer a impossibilidade da passagem. É lógico que, quando há feira, o trânsito não flui com a mesma normalidade que nos outros dias. Mas é só isso. O direito de entrar e sair, de ir e vir dos moradores está garantido’’, ressalta Jonas da Silva.
Ele explica que a proposta de se instalar as barracas de todas as feiras em apenas um lado das ruas é de difícil implantação. ‘‘Teoricamente, parece que facilitaria a entrada e saída dos veículos. Mas não sabemos se isso funcionaria bem na prática. Até porque, dobraria o comprimento do espaço ocupado pelas barracas por diversas quadras e aumentaria em muito o número de carros em trânsito com a abertura das ruas para este fim’’, comenta o assessor da Comurb.
A reivindicação dos moradores do Edifício Castelloforte será analisada - e deferida ou não - na próxima semana, durante reunião da Comissão Geral de Feiras de Londrina, presidida por Jonas da Silva. É o que prevê a legislação municipal que regulamenta o funcionamento das feiras livres na Cidade.

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