Curitiba Vanessa Souza Cordeiro, 22 anos, sonha com a casa própria, um carro, em voltar a estudar e trabalhar e ter estabilidade para criar seus filhos. Anselmo Anichi, 53 anos, pede apenas por mais segurança em seu bairro, que há três anos levou um de seus filhos. Já o casal Genivaldo Caiado e Márcia Alves Caiado, ambos com 30 anos, querem ver os filhos cursando uma faculdade.
A família de Vanessa e Anselmo têm em comum o fato de viveram no Sítio Cercado, sul da Capital, o segundo bairro mais populoso e terceiro em densidade populacional de Curitiba. Já Caiado e sua mulher são de Pinhais e representam uma parcela de pessoas, que cresce cada vez mais: aqueles que trabalham na Capital e moram em municípios da Região Metropolitana.
Na casa de Vanessa, só o marido Luiz Carlos Cordeiro Junior, 22 anos, trabalha. Ele ganha R$ 900,00 como vendedor em uma loja de shopping. A casa é alugada, para onde vai R$ 200,00 mensalmente. Além da filha Rebeca, 2 anos, no início de abril ela dá à luz a mais uma menina, Manoela. ''Por enquanto o salário está dando, mas com mais uma filha eu quero voltar a trabalhar'', diz.
Há 14 anos, sem nenhum dinheiro no bolso, Anselmo Anichi deixou o emprego em uma olaria na cidade de Joaquim Távora (53 km ao sul de Jacarezinho) e embarcou com a mulher Odila de Oliveira Aniche e seus três filhos em um trem rumo a Curitiba. No início, vendia alho pelas ruas, mas dois anos depois conseguiu comprar uma lanchonete, onde a família toda trabalha até hoje. ''Eu só me queixo da falta de segurança. Tem que ter mais polícia na rua'', reclama Anselmo, cujo filho mais novo foi morto, vítima da violência no bairro.
Descendente de uma ''mistura de italiano com mineira'', ele não se queixa da sorte em Curitiba. Estima ganhar uma renda mensal de cerca de R$ 2,4 mil no bar. ''O forte é a carne assada e a cachaça'', diz. Além de trabalhar juntos, a família também mora em duas casas próprias, no mesmo terreno.
Casados há 14 anos, Genivaldo e Márcia trabalham para a Prefeitura de Curitiba. Genivaldo é encarregado de manutenção de quatro prédios municipais no Centro Cívico. Já a mulher é empregada de uma empresa terceirizada, que faz a limpeza do prédio central. Juntos ganham R$ 900,00. ''Quando tem uma coisa extra ou um filho pede alguma coisa diferente tem que parcelar, ou deixar de comprar alguma coisa para comprar outra'', conta Genivaldo.
Apesar da vida ligada à Prefeitura de Curitiba, os dois quase não conhecem os atrativos da cidade. ''Não sobra dinheiro para passear em Curitiba no fim de semana. Só em ônibus íamos gastar uns R$ 30,00'', calcula. Além do casal, são mais três filhos, Rafael de 12 anos, Franciele de nove e Flávio de oito anos, todos matriculados em escola pública estadual.

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