Moradores querem delegacia sem presos
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Elisa Marilia 
Curitiba
Kraw PenasRiscoCrescimento do bairro provocou surgimento de muitos prédios em torno da delegacia, onde estão presos hoje 51 bandidosA fuga de 32 presos da 1ª Delegacia de Furtos e Roubos, no último dia 18, foi o estopim para que 25 síndicos dos edifícios situados nas proximidades declarassem guerra à existência da delegacia, no bairro Cajuru. Em documento protocolado ontem em vários órgãos estaduais, os moradores se queixam da situação de insegurança do bairro.
A população do bairro está apavorada e totalmente insegura. Os fugitivos invadiram edifícios, casas, estabelecimentos comerciais. Houve troca de tiros, colocando em risco a vida dos moradores, relata o documento.
Outro problema relatado no documento são os constantes roubos de veículos. Só no último ano, foram mais de 30 automóveis, asseguram os moradores. Os síndicos querem que a delegacia funcione apenas como uma delegacia, e não como um mini-presídio superlotado e sem segurança como vem ocorrendo.
Uma das síndicas, que pediu para não ser identificada, afirma que no dia da fuga dos presos foi necessário chamar a Polícia Militar para fazer uma verredura na garagem do prédio. Outro morador disse que tem medo de entrar na garagem à noite.
De acordo com as informações do delegado da Furtos e Roubos, Ézio Vicente da Silva, a delegacia já estava instalada nesse local antes de os prédios serem construídos. Este é um local de segurança. Por aqui raramente é registrado um assalto, assunto de nossa competência, declara.
Com relação à superlotação da delegacia, o delegado diz que também quer ver todos os presos detidos em penitenciárias. Hoje temos 51 presos e nossa capacidade física é para no máximo 40, reconhece.
Segundo o delegado da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, Rubens Recalcatti, a média de carros furtados em Curitiba é de 10 a 25 por dia. As áreas consideradas críticas são os bairros do Ahú e do Centro Cívico. O número de carros furtados em Curitiba aumentou proporcionalmente ao número de carros na cidade, diz Silva.
O documento dos moradores foi protocolado na secretário de Estado da Justiça e Cidadania, no Conselho Penitenciário do Estado, na secretaria da Segurança e na Ouvidoria Geral.


