Moradores querem ampliar atendimento
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quarta-feira, 08 de abril de 1998
Osmani Costa 
Mario CesarConjuntoMoradores reunidos ontem: queixas serão levadas à promotoriaA Associação de Moradores do jardim Tupi (zona oeste de Cambé) e de outros bairros daquela região terão uma audiência com o promotor Leonildo de Souza Grota, na próxima semana, para tratar de questões ligadas à saúde pública daquela cidade (13 km a leste de Londrina). Os moradores - liderados por Waldinei Timóteo Rocha e Maria Anidege de Mello - reclamam principalmente contra o fato de somente a Santa Casa casa prestar atendimento à população mais carente, beneficiária do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os outros dois hospitais de Cambé, o São Francisco e o São Lucas, são pertencentes à iniciativa privada e atendem apenas a pacientes particulares ou cobertos por algum tipo de convênio médico. Isto é um absurdo. Nosso município possui quase 100 mil habitantes, mas só têm direito a um bom atendimento as pessoas ricas. O pronto-socorro da Santa Casa vive superlotado e o atendimento demora horas, denuncia Waldinei Rocha.
Além do atendimento pelo SUS ser assim restrito, os postos de saúde municipais quase nunca têm médicos e sofrem com a constante falta de remédios, afirma Maria de Mello, que é coordenadora da Pastoral dos Migrantes da Igreja Católica. Segundo ela, os moradores - que estão criando uma Associação em Defesa de Melhorias na Saúde Pública - já estiveram reunidos com o prefeito José do Carmo (PTB) e com o secretário de Saúde, Antonio de Freitas. O problema é que nossas reivindicações nunca são atendidas, os problemas são antigos e prosseguem sem solução.
Os moradores reclamam ainda que não podem participar do Conselho Municipal de Saúde, que funciona há cerca de seis anos. Nunca somos convidados para as reuniões. Quando ficamos sabendo, quase sempre elas já aconteceram. Quando comparecemos a elas, vamos de sapos, de bicos, não temos direito a voz e nem a voto nas decisões, ressalta Waldinei Rocha, que é presidente da Associação do jardim Tupi.
O secretário Antonio de Freitas admite que o fato de apenas um hospital atender aos pacientes do SUS acarreta dificuldades para a população. O pronto-socorro da Santa Casa, que atende cerca de 5 mil pessoas por mês, realmente acaba sobrecarregado. Mas estamos em processo de negociação com a direção dos outros dois hospitais, na tentativa de trazê-los também para este setor e melhorarmos o atendimento público. Mas estes hospitais são propriedades privadas, temos que respeitar a posição deles, comenta.
Ele nega que faltem médicos e remédios nos dez postos de saúde municipais. Contamos com 40 médicos, e o atendimento oferecido é de qualidade. Tivemos recentemente um pequeno problema com os remédios, porque o envio do governo estadual é trimestral, mas ele já está resolvido, afirma Freitas. Não é verdade que os moradores não tenham participação ou representantes nosso Conselho, que possui 30 membros e é superatuante. Todos os setores da sociedade - moradores de bairros, trabalhadores, Câmara etc. - estão presentes no Conselho.


