Moradores querem ação civil contra o aeroporto
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sexta-feira, 06 de novembro de 1998
Benê Bianchi 
Moradores do Jardim Monte Carlo (zona leste) querem a instauração de uma ação civil pública para impedir a ampliação da pista e reformas no Aeroporto de Londrina. Eles encaminharam um requerimento à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, que está sendo analisado pela promotora Maria Lúcia Reichenbach.
Ontem, ela anunciou que irá aguardar a evolução das discussões, na Câmara de Vereadores, sobre a doação de áreas para ampliação da pista. Também deverá aguardar a conclusão dos projetos de alterações que estão sendo elaborados pela Infraero para só então tomar qualquer medida.
Pelo que analisei até o momento, deveremos exigir um Estudo de Impacto Ambiental na área se as reformas implicarem na instalação de novos equipamentos e alterações dos tipos de aeronaves que operam no aeroporto local. Para o que já está instalado, não há necessidade do estudo , informa a promotora. Segundo ela, os pedidos dos moradores estão sendo analisados.
O requerimento enviado à promotora foi assinado pelos moradores Weber Atos Vanzo, Wilma Vanzo e Valdir Gomes de Sá. Junto, foi enviado um abaixo-assinado com cerca de 150 nomes. Eles também pedem que seja feita uma medição de decibéis nos momentos de pouso e decolagem das aeronaves. O barulho é uma das principais reclamações e preocupações dos moradores.
Se já estamos sofrendo da forma como está, imagine se a pista for ampliada e começar a operar aeronaves maiores neste aeroporto, comenta Wilma Vanzo. Segundo ela, que mora próximo a uma das pistas do aeroporto, o barulho é ensurdecedor. Quando me mudei para cá, há cerca de seis anos, não era desse jeito. O movimento aumentou muito nos últimos anos, constata.
Valdir Gomes de Sá, residente próximo à cabeceira da pista, não reclama apenas do barulho. Faz 24 anos que moro no mesmo lugar. Nos primeiros 10 anos não precisei mexer em nada na casa. Hoje, faço de duas a três reformas por ano, tantas são as rachaduras nas paredes e piso, comenta.
Ele também reclama da poluição ambiental. Por residir muito próximo à pista, ele diz que os aviões viram as turbinas para o lado de sua casa quando estão prestes a decolar. No meu quarto fica uma fuligem escura e um cheiro de querosene muito forte. Isso nos provoca uma tosse seca e é prejudicial à nossa saúde.
Weber Atos Vanzo acrescenta à lista das preocupações o risco de acidentes nos momentos de pouso e decolagem. Eles prevêem que os moradores acabem abandonando suas casas caso haja a ampliação da pista. Mesmo que a idéia da ampliação seja arquivada, hipótese bastante remota, os moradores dizem que irão insistir numa ação civil pública para que o aeroporto seja transferido.


