Moradores do Vale Cambezinho e Jardim San Fernando, na zona sul de Londrina, fizeram um protesto, ontem de manhã, pedindo melhorias para o bairro. Eles fecharam a Rua Brasil Filho, com galhos de árvores e cadeiras, impedindo o tráfego de veículos. O objetivo era chamar a atenção das autoridades para uma série de necessidades que não estão sendo atendidas: esgoto, recapamento de asfalto e mudança de itinerário de ônibus.
O esgoto, segundo os moradores, é uma prioridade, pois os terrenos daquela região são muito pedregosos e as fossas têm, no máximo, quatro metros. ''Já fiz duas fossas na minha casa'', revoltou-se Neide Correia Raphael, uma das moradoras. Ela conta que as reivindicações começaram há mais de dois anos, quando foi feito um abaixo-assinado com duas mil assinaturas e até agora nada foi resolvido.
''Nós queremos também o recapeamento do asfalto'', disse Neide, explicando que as paredes das casas estão rachando, devido à passagem de carros pesados no local. Os caminhões de lixo, que antes passavam pela Rua Charles Lindenberg, que está intransitável, se movimentam agora pela Rua Brasil Filho as duas ruas são paralelas. Para a moradora Romilda Cortinegui, o descaso é completo. ''Faz nove anos que moro aqui e nunca vi a prefeitura fazendo nada de bom'', reclamou.
Os moradores ainda pedem uma linha de ônibus que passe pela Avenida Duque de Caxias e pela prefeitura e siga até o Colégio São Paulo. Neide justifica: ''Muitos alunos do Colégio São Paulo localizado próximo ao bairro moram aqui na região e precisam pegar dois ônibus para chegar ao colégio: um até o terminal e outro até a escola''.
Ontem, o gerente de operações da Sanepar, em Londrina, Nelson Okano, disse que já existe projeto para rede de esgoto no bairro, mas não há prazo para sua implantação, porque a obra, ''tecnicamente difícil e cara'', depende de financiamento. 'Hoje, não existem muitas linhas de financiamento para o setor'', disse.
O coordenador-técnico da secretaria municipal de Obras, Joaquim Varga, confirmou a necessidade de recapeamento das ruas, mas informou que, ''por enquanto'', só será realizada a operação tapa-buraco. ''Estamos dependendo da liberação de mais verba do programa Paraná Urbano. Pedimos R$ 30 milhões e eles liberaram R$ 4 milhões'', afirmou.
A diretora de operação e transporte da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Rosimeiri Suzuki Lima, disse que é possível adequar o itinerário dos ônibus. ''Antes vamos fazer uma pesquisa para verificar a demanda'', disse. (Colaborou Chiara Papali)

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