James Alberti
De Curitiba
Sem água há quase um mês, moradores da Vila Zumbi, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, fecharam ontem por 30 minutos a BR-116, na pista que liga Curitibáa a São Paulo. Os moradores reclamaram da falta de empenho da prefeitura e da Sanepar em resolver a falta de água constante na favela – que tem cerca de 20 mil habitantes. O tráfego na direção contrária não foi interrompido.
O protesto gerou congestionamento de dois quilômetros, segundo o inspetor Adriano Marcos Furtado, da Polícia Rodoviária Federal. Furtado negociou a retirada dos galhos que trancavam a rodovia. Durante a manifestação, os moradores prometeram fazer uma passeata hoje até a prefeitura da cidade.
A julgar pelo jogo de empurra-empurra das autoridades a caminhada não deve dar resultado. A prefeita de Colombo, Izabete Pavin, disse que o problema da falta de água é da Sanepar e que irá acompanhar os manifestantes até a sede da empresa, caso eles realmente forem à prefeitura.
A Sanepar, por sua vez, passa adiante a questão. A assessoria da empresa informou que é possível resolver a situação porque, para instalar rede de abastacimento e relógios, os terrenos devem estar regularizados – o que não é o caso. A prefeitura teria, então, que regularizar os lotes. Tal regularização estaria a cargo da Coordenaria da Região Metropolitana de Curitiba (Comec).
Há dez anos os moradores começaram a invadir os terrenos. De lá para cá a qualidade da vida na favela tem se deteriorado. Quando falta água, os moradores compram de carros-pipas ou pegam em poços. Ontem a dona de casa Jurema dos Santos Freitas, 23 anos, foi a um desses poços e encontrou dentro dele dois sapos. A água era suja e verde, impossível de ser consumida.