Moradores do Parque Ouro Branco (Zona Sul de Londrina) e lideranças comunitárias do Conjunto Jamile Dequech, na mesma região, realizaram ontem um protesto contra os perigos que eles afirmam estar enfrentando em trechos da Rodovia PR 445. Eles também aproveitaram a ocasião para lançar a campanha ''Ouro Branco Contra a Imprudência no Trânsito''.
Reunido no Centro Comunitário do Ouro Branco, o grupo assistiu a vídeos sobre acidentes ocorridos sobretudo na entrada do Jamile e nas proximidades do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), pontos considerados por eles e pela Polícia Rodoviária Estadual em Londrina como os de maior risco. Entre as atividades, houve também depoimentos de vítimas dessas duas localidades.
Segundo a presidente da Associação de Moradores do Jamile, Juraci Antônia Ferreira, a situação está se agravando cada vez mais no trevo que dá acesso ao Conjunto. ''Lá é muito perigoso, as pessoas quase 'voam' ao volante'', apontou, frisando que, nos últimos anos, já viu ''muito vizinho nosso ser enterrado por causa de imprudência''.
Pela associação do Ouro Branco, o presidente da entidade, Roberto Fu, disse que as reclamações dos moradores sobre o trânsito no trechos destacados serão reunidos em um documento a ser entregue às autoridades. ''Só este ano, foram 20 mortos nos primeiros quatro meses (dados da Polícia) nesses pontos da PR 445. Algo tem de ser feito logo'', comentou.
O comandante da Polícia Rodoviária no município, capitão Sérgio Dalbem, declarou que a fiscalização na PR foi intensificada desde o último dia 11 com o lançamento da operação Salva Vidas. ''Os trechos são bem sinalizados, mas são poucos os motoristas das marginais que respeitam as placas de Pare ao cruzar a rodovia'', frisou, como principal causa dos acidentes. ''Avaliaremos a operação daqui 20 dias para as ações futuras'', completou o capitão.
Atropelado em sua bicicleta por um carro na rotatória perto do Iapar, em julho de 2000, o hoje desempregado Edson Vítor Santii, de 45 anos, se mantém otimista pelas mudanças no trecho, mesmo com todas as sequelas sofridas. ''Perdi o olfato, o paladar, a noção de espaço e a memória dos meus últimos 10 anos'', contou. Na ocasião, o motorista que o atingiu fugiu sem prestar socorro.

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