Moradores da Zona Sul de Londrina bloquearam na manhã de ontem a Avenida Guilherme de Almeida, exigindo a duplicação da via. Pneus e faixas foram usados para interromper o tráfego na avenida, onde, segundo a comunidade, acontece um grande número de acidentes em função do intenso movimento de veículos. A avenida dá acesso aos jardins Santa Joana, Cristal e Campos Elíseos. A Polícia Militar (PM) acompanhou o protesto com nove soldados que orientavam motoristas a desviar do bloqueio para ter acesso aos bairros.
  A maior preocupação é o número de acidentes no local. A presidente da associação de moradores dos três bairros, Vera Lúcia dos Santos Vieira, afirmou que os moradores querem uma resposta definitiva do município. ‘‘Só temos promessas e de promessas estamos cansados. Os acidentes acontecem toda semana e temos que resolver isso.’’
  Os moradores já realizaram vários protestos, sendo que o último foi em setembro do ano passado, logo depois de um acidente grave, que tirou a vida de uma criança de seis anos. Alisson Ramos Santana estava indo para a escola quando foi atropelado. Os moradores computam seis mortes só em 2005.
  Uma das vítimas mais recentes dos riscos na avenida foi o filho da dona-de-casa Cristiane Santana, moradora do Jardim União da Vitória. Ela conta que há dez dias andando pelo canteiro da avenida com o filho Vitor Hugo, dois anos, quando um caminhão atingiu o carrinho do bebê durante uma manobra na rua. O menino teve a perna atingida pelo pára-choque do veículo. ‘‘Fiquei desesperada, arranquei meu filho do carrinho e joguei no canteiro. Se não tivesse batido na lataria do caminhão, o motorista tinha matado meu filho’’, afirmou.
  ‘‘Não temos sossego. Quando ouvimos notícia de algum acidente na avenida, já ficamos com o coração na mão, pensando em quem pode ser’’, reclama a moradora do Jardim Cristal, Aparecida Correia, que passa pela avenida para levar os filhos Luciano, 8, e Mariana, de 5, à escola. ‘‘Não confio em deixar as crianças sozinhas na avenida.’’
  A dona-de-casa Ana Tereza Ferreira, também moradora do Cristal, já presenciou vários acidentes na avenida. ‘‘Isto aqui é um perigo.’’ Com quatro filhos pequenos, ela atravessa a avenida todos os dias para levar uma das crianças à escola.
  Para o comerciante Fernando Roberto Rodrigues de Paula, que tem um estabelecimento na avenida há cinco anos, a situação é crítica. O pintor Marco Aurélio Nogueira afirma que ‘‘cansou’’ de chamar o Siate para socorrer pessoas atropeladas. ‘‘A avenida é estreita e fluxo de carros muito grande. Já passou da hora de duplicar essa avenida’’, critica.
  O trecho onde os moradores reivindicam a duplicação tem apenas 400 metros, mas está inserido numa área particular que precisa ser loteada, segundo informações do secretário municipal de Obras, Aloísio Crescentini de Freitas. ‘‘Entendo a preocupação dos moradores, mas infelizmente não posso fazer nada, enquanto o proprietário não fizer o loteamento da área’’, afirmou.
  Freitas explica que o local é atípico, com um declive grande (40% de declividade), o que encarece a infraestrutura na área. ‘‘Em novembro do ano passado, a prefeitura fez um projeto alternativo de drenagem para baratear a obra, mas não temos recursos para realizar a obra que é de responsabilidade particular. Mesmo com uma parceria, preciso usar recursos a fundo perdido e a prefeitura não dispõe desses recursos’’, afirmou.
  A área que fica ao lado da avenida pertence à Construtora Abussafi. O proprietário da empresa, João Abussafi, informou que não pretende lotear a área. ‘‘Estou pagando os impostos, mas não pretendo fazer o loteamento do terreno.’’

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