Moradores protestam e obtêm terminal
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terça-feira, 29 de setembro de 1998
Lucilia Okamura 
Três ônibus apedrejados, um motorista ferido e a promessa de que as obras de construção do terminal de integração do transporte coletivo no distrito de Irerê (zona sul de Londrina) começam hoje foram o saldo do protesto realizado ontem pelos moradores da localidade.
A manifestação teve início às 7 horas da manhã na rodoviária do distrito. Cerca de 100 moradores impediram a saída de um ônibus da empresa Francovig que chegara do distrito de Paiquerê, com 20 passageiros, e seguiria para Londrina. Eles reclamam da demora na construção do terminal de integração, que faria com que a passagem fosse reduzida de R$ 1,60 para R$ 0,75.
A Polícia Militar foi chamada para intervir já que, do terminal, os manifestantes passaram a parar os ônibus que trafegavam pela PR-445. Por volta das 14 horas, irritados, eles apedrejaram três ônibus. Estilhaços de vidro feriram o motorista Sérgio Garcia dos Santos.
Eles (administração municipal) falaram que o terminal seria construído logo, mas até agora nada. Eles só prometem, reclama a dona de casa, Lucilene Santos. Ela acredita que o terminal não chegará a ser erguido. Prometeram a construção de um posto de saúde há quatro anos e a obra ainda não foi concluída, diz.
Os moradores acreditam não ser necessária a construção de um terminal para que ocorra a redução da tarifa. Atualmente, os usuários pagam R$ 1,60 para ir a Londrina, mas na volta na tarifa é de R$ 0,75 por causa da integração de passageiros, que ocorre no terminal Acapulco (zona sul).
Sônia Borim, também dona de casa, diz que a tarifa de R$ 1,60 prejudica os moradores do distrito que trabalham em Londrina. O meu marido é porteiro de prédio e pagam para ele somente o valor do passe em Londrina, que é de R$ 0,75. O restante sai do bolso dele, reclama.
Por causa do protesto, e sem um meio de locomoção, muitas pessoas que trabalham em Londrina tiveram que faltar ao serviço. Mas é preferível perder um dia de trabalho, participar do protesto e tentar conseguir essa melhoria, afirma a auxiliar odontológica Norma Antonio.
O diretor da Francovig, Francisco Henrique Francovig, lamenta o protesto e explica que a paralisação do ônibus causou prejuízos à empresa e, principalmente, a usuários de outras regiões que iriam utilizar o veículo ao longo do itinerário.
A diretora de operações da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) - órgão municipal que gerencia o transporte coletivo -, Lúcia Brandão, foi ao local do protesto para tentar conversar com os moradores. Lúcia Brandão explicou que a integração e a consequente implantação de uma tarifa única só será possível com a construção do terminal no distrito. Irerê é o ponto central e todos os distritos convergem para Irerê, observa.
Lúcia Brandão explica que não tem como reduzir a tarifa atualmente porque a demanda na região não comporta um valor mais baixo. Para justificar, ela explica que enquanto na região norte de Londrina, a média é de 2,9 passageiros por quilômetro, em Irerê a demanda é de 0,25 passageiro/km. Com o terminal de integração será possível racionalizar ou compensar as linhas deficitárias com as que apresentam maior demanda.
Segundo a assessoria de imprensa da Comurb as obras de construção do terminal de integração começam hoje e devem estar concluídas em 120 dias. O projeto do terminal foi lançado no distrito no dia 28 de agosto, pelo prefeito Antonio Belinati. A obra, quando concluída, permitirá que todos os ônibus do transporte coletivo dos distritos da região sul façam a integração no novo terminal e não mais no Jardim Acapulco.
O terminal deverá beneficiar os distritos de Irerê, Guaravera, Lerroville, Paiquerê e os patrimônios de Guairacá e Taquaruna. A obra está orçada em R$ 220 mil e, depois de iniciada, deve demorar cerca de 120 dias para ser concluída. (colaborou Cláudio Osti)


