Latinhas, apitos, narizes de palhaço, cartazes, megafone e gritos de ''não vamos aceitar'' foram os recursos usados por um grupo de moradores da Chácara São Miguel, Zona Sul de Londrina, para protestar contra a instalação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Ribeirão Esperança. Eles reuniram-se na manhã de ontem, em frente ao escritório da Sanepar e hoje pela manhã voltam a se manifestar no Calçadão.
Conforme Maria Eliza Castanha, moradora da Chácara São Miguel há mais de 15 anos, a comunidade só ficou sabendo da obra há três meses. ''Ficamos estarrecidos com o projeto apresentado e em saber que a obra já está em fase de licitação'', disse. ''Não tem lógica construir uma estação em cima das pessoas.''
Conforme o gerente geral da Sanepar para a Região Metropolitana de Londrina, Sérgio Bahls, o projeto já vem sendo discutido há três anos, inclusive com parecer positivo do Ministério Público. Com a nova estação, a empresa irá tratar todo o esgoto produzido na zona urbana e ampliar a rede coletora para 95% do município.
Bahls explicou que a estação será construída nos moldes modernos, com captação do gás metano liberado no processo de tratamento de água, evitando a emissão de odores. ''No local já existe 70% de cobertura de mata nativa e pretendemos criar um cinturão verde plantando mais 30% de mata. Será uma estação de 20 mil metros quadrados com 85 mil metros quadrados de proteção ambiental'', descreveu o gerente, informando que a obra, licitada no valor de R$ 30 milhões, tem prazo de execução até final de 2010.
Para o presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consema), Fernando Barros, se executado como proposto há três anos - ''uma estação moderna, com sistema de desinfecção e controle de odores'' -, o projeto é imprescindível para Londrina, que carece de um sistema terciário de tratamento de esgoto. ''Hoje, a empresa é considerada poluidora permanente de recursos hídricos, mesmo após o tratamento, que é secundário.''
Para a promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, como o local para a instalação da nova ETE foi escolhido pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), não há nenhuma circunstância preocupante que justifique o embargue da obra. ''Mas o Ministério Público aguarda ainda um laudo do Consema antes de tomar qualquer providência.''

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