''Proibido caçar. Uso exclusivo. Prefeito e vereadores.'' A faixa poderia anunciar uma normatização em área de preservação ambiental. No Jardim Roma, localizado na Zona Norte de Londrina, no entanto, os dizeres servem para cobrar, de maneira bem humorada, uma solução para o constante excesso de mato alto num terreno na Rua Domingos Julião. A proibição irônica foi colocada pela vizinhança, que se diz cansada de reivindicar a roçagem do local.
Loteado cerca de 3,5 anos atrás, o Jardim Roma consiste em apenas três ruas. Talvez pelo pequeno número de moradores, o bairro está praticamente esquecido pelas autoridades responsáveis pela manutenção de áreas públicas. De acordo com os moradores, a última roçagem da área foi feita em outubro do ano passado. Desde então, os vizinhos são obrigados a conviver com os riscos provenientes do mato alto.
''Já matei umas quatro cobras na minha casa. É arriscado porque todo mundo aqui tem criança pequena'', contou a dona de casa Maria Aparecida Savariego, 51 anos. As vizinhas relatam que é comum encontrar ratos na rua. Hoje, a limpeza da calçada no entorno da área é feita pelos próprios moradores.
Segundo o setor de loteamentos da Secretaria Municipal de Obras, o terreno é reservado para construção de praça. A exigência para liberação do loteamento, feita em 1998, inclui somente urbanização e plantio de grama, o que foi cumprido. ''A área de praça não tem uma destinação específica. Pode ser usada para construir escola ou posto de saúde, por exemplo'', ensinou Jorge Yutaka, engenheiro da secretaria.
Os moradores queixam-se que não obtêm retorno do poder público, mesmo após cobrarem providências em diversas oportunidades. ''Ligamos para a prefeitura faz 15 dias e eles prometeram resolver o problema em poucos dias. Mas até agora nada'', cobrou a dona de casa Neila de Lima Casoni, 39. O diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), João Verçosa, disse que a Zona Norte está na programação para esta semana. ''A roçagem tem que ser feita toda vez que o mato ultrapassar cinco centímetros. Não importa se as equipes tiverem que ir ao local duas vezes por mês'', ressaltou.
A reportagem tentou entrar em contato com a loteadora responsável pelo bairro, mas foi informada que os proprietários estariam viajando. O superintendente da Visatec, José Geraldo Leibante, explicou que a área não faz parte do contrato entre a empresa e a prefeitura. ''Mesmo assim, vamos fazer a roçagem a pedido da CMTU'', garantiu. Ele afirmou que o serviço será executado na manhã de hoje.

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