Moradores protestam contra mureta
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
Os comerciantes do Jardim Jupira, bairro próximo à Ponte da Amizade em Foz do Iguaçu, protestaram ontem contra a construção de uma mureta no final da BR-277, para dividir a via e melhorar as condições de segurança e tráfego no local. Os empresários alegam que a obra limita o acesso de compristas ao bairro.
A manifestação começou logo pela manhã. O local escolhido foi a sede do Instituto de Transporte e Trânsito de Foz do Iguaçu (Foztrans), onde representantes do bairro participaram de uma reunião com o presidente do órgão, Rui Golin, o comandante da Polícia Rodoviária Federal em Foz, inspetor Ivan Noshang, e o diretor-técnico da Rodovia das Cataratas S.A., Rogério Zanforlin. A concessionária é responsável pelas obras, temporariamente interditadas pela prefeitura.
Durante o encontro, um abaixo-assinado foi entregue pelo representante do bairro, Domingos Fernando Silva, 51 anos. Temos aqui a assinatura de mil pessoas que exigem providências. Não queremos a retirada da mureta, apenas a liberação de dois acessos ao bairro, explicou Silva. Segundo os manifestantes, a obra divide os jardins Jupira e Vila Portes, principal região de comércio varejista de Foz. Com a conclusão da mureta, o acesso entre os bairros seria possível somente pelo viaduto situado a 1,5 mil metros da ponte internacional.
O projeto original da concessionária prevê a colocação de blocos de concreto em 550 metros de pista e já está com 70% da obra concluídos. No final de fevereiro, a Prefeitura de Foz havia embargado o projeto, atendendo ao pedido dos comerciantes. O próprio prefeito Sâmis da Silva disse, na época, que a obra vedaria o acesso dos compristas que circulam na região, reduzindo ainda mais o já desgastado comércio local. O comandante Noshang discordou da proibição da obra, lembrando que era difícil garantir a segurança dos pedestres e principalmente motoristas que chegam a esperar duas horas para cruzar a fronteira em direção a Ciudad del Este, no Paraguai. Além disso, existia um acordo onde nos comprometemos a aumentar o efetivo no local em troca das conclusão da obra, prevista para o dia 15 de dezembro. Até agora, nada foi feito, explicou o inspetor, ameaçando retirar os policiais rodoviários do local até que a mureta seja construída. As obras foram retomadas há duas semanas.
Se a concessionária não retirar parte da mureta, nós vamos retirar. Não queremos um Muro de Berlim dividindo a cidade, ameaçou Silva, morador do Jupira há 27 anos.


