Associações de moradores dos Jardins Acapulo e Del Rey (Zona Sul) protocolam esta semana representação no Ministério Público (MP) visando impedir a transformação da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) em unidade de presos provisórios - não condenados. Os moradores, que realizaram protesto no calçadão ontem de manhã, alegam que a medida aumentaria a insegurança no bairro e desvalorizaria os imóveis. Desde a inauguração da Casa de Custódia, em 2001, específica para presos provisórios, a PEL se transformou em unidade exclusiva de presos permanentes.
''Se colocarem provisórios aqui fica muito perigoso, o entra e sai de presos é constante, difente de agora, em que o condenado fica muitos anos fechado'', afirmou a telefonista Sirlene Xavier Duarte, 24 anos, vizinha da PEL. ''Quando tinha presos provisórios na PEL havia fugas constantemente. Uma vez um preso conseguiu escapar da prisão e roubou a bicicleta no quintal de uma vizinha para fugir. É um absurdo que situações assim voltem a ocorrer''. De acordo com Sirlene, a representação está sendo redigida por um advogado que se apresentou como voluntário e será levada esta semana ao MP. A representação também será assinada pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários.
Caso a medida não surta efeito, os moradores prometem montar acampamento em frente à PEL para impedir fisicamente a mudança dos presos. ''Se eles insistirem, a gente vai acampar lá, principalmente com mulheres para dificultar alguma ação policial'', prometeu Sirlene Duarte.
A transformação da PEL em unidade para presos provisórios está condicionada à inauguração do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), prevista para abril, que passaria a atender apenas presos permanentes. A decisão foi tomada no início do mês durante reunião entre o secretário estadual de Justiça e Cidadania, Jair Ramos Braga, e o juiz da Vara de Execuções Penais de Londrina, Roberto Ferreira do Valle.
Ontem, na mobilização realizada no calçadão, algumas faixas mostravam o descontentamento da população com o posicionamento do juiz. ''Foi ele quem quis, prisão provisória na casa do juiz'', dizia uma das faixas carregadas pelos moradores. A reportagem da Folha não conseguiu contato com Roberto do Valle e com o secretário de Justiça, Jair Braga.
O deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMBD), da bancada governista, disse que o governador Roberto Requião vai acatar a sugestão do juiz sobre a destinação dos presos. ''O governador disse que a última palavra é da justiça. Eu sou favorável à causa dos moradores, mas como deputado não há muito o que possa fazer. Vamos continuar trabalhando para uma solução''.

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