Cambé - O slogan ''A gente nunca para'', estampado nos trens da América Latina Logística (ALL), pareceu ironia diante do que aconteceu no dia 3, em Cambé (Norte). Depois da morte de duas meninas atropeladas por um trem da empresa, quando atravessam a linha férrea ao voltar da escola, a cidade praticamente parou ontem para a realização de uma manifestação.
Munidos de faixas e cartazes com pedidos de justiça, dezenas de amigos, familiares e moradores de Cambé fizeram um protesto pela manhã. A caminhada da multidão começou em frente à Prefeitura, no Centro, passando por várias ruas até chegar ao local do acidente, no Jardim Tupi. Emocionadas e revoltadas, as pessoas gritavam pelos nomes Renata Clemente Viana, 11 anos, e Brenda Stábile, 12. Em Meio ao grande apitaço pediam ainda a retirada da estação de manobra do trem, que corta a cidade.
À frente da manifestação, o tio de uma das meninas disse que a população não vai mais aceitar que outras crianças morram. ''Se dentro de 15 dias não houver nenhuma solução, nós vamos destruir essa linha'', disse Sérgio Rossi.
O pai de Renata, Josué Dutra Veira, fez um pedido aos políticos para que a situação não ocorra novamente. ''Pelo amor de Deus, tirem essa linha daqui. Estou pedindo socorro, para que outras famílias não passem pelo que a minha está passando'', desabafou. Ele alega que ninguém da empresa ou da Prefeitura se manifestou até agora. ''Não me ligaram sequer para prestar solidariedade.''
Um trem se aproximou da estação durante o ato. Quando o veículo parou, alguns manifestantes ameaçaram quebrar o trem e sentaram na linha, gritando frase como ''passa por cima''. Os ânimos foram acalmados com a presença da Polícia Militar.
O presidente da federação da Associação de Moradores de Cambé, Valdinei Timoteo Rocha, disse que haverá uma reunião na próxima quarta-feira, na Escola Olavo Bilac, onde as meninas estudavam. ''Será um reunião técnica, para que os políticos, juntamente com representante da ALL e moradores da cidade, discutam como iremos resolver esse problema que se arrasta há anos.'' Representantes da prefeitura e da ALL não comparecem ao local.
Em entrevista à FOLHA na semana passada, o prefeito de Cambé, João Pavinato, disse que há um projeto que prevê o rebaixamento de cinco quilômetros de trilhos. Ainda este mês o município deve iniciar as obras da trincheira que será construída próximo ao colégio. A obra está orçada em R$ 3,5 milhões.

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