Os moradores do Residencial Santos Dumont, no Conjunto Ernani Moura Lima (zona leste de Londrina), que estão em dia com o condomínio, tentaram impedir ontem de manhã que o abastecimento de água fosse restabelecido nos apartamentos inadimplentes. O religamento da água para os moradores com taxa de condomínio atrasada foi conseguida através de liminar concedida pelo juiz Luís Sérgio Suiki, da 2ª Vara Cível. No início de março, a direção do condomínio instalou um sistema de encanamento alternativo, que barra o fornecimento de água para quem não está em dia com os pagamentos.
Segundo a síndica Aparecida Alves de Oliveira, a saída encontrada já estava começando a surtir efeito, forçando o pagamento, mesmo que parcelado, pelos inadimplentes. ‘‘Agora descobriram esta brecha na lei e estão aproveitando para continuar em débito’’. A primeira liminar concedida pelo juiz beneficiou oito famílias, que voltaram a ter o abastecimento de água. A liminar que chegou ontem ao condomínio obrigava o abastecimento em mais três apartamentos.
Os moradores em dia com o pagamento estão revoltados. ‘‘Estamos correndo o risco de ficar sem água de novo na próxima segunda-feira, quando vence o prazo de uma das parcelas de R$ 12 mil que negociamos com a Sanepar. Estas pessoas precisavam pagar pelo menos parte do que devem’’, implorou Aparecida de Oliveira. No início deste mês, todos os moradores ficaram 12 dias sem água por causa da retirada do registro pela Sanepar, que tem uma dívida de cerca de R$ 60 mil para receber do condomínio.
De acordo com a síndica, aproximadamente 45% das 378 famílias estão com as taxas de condomínio - que giram em torno de R$ 50,00 - atrasadas. Um dos inadimplentes é Mauro Moreno Mangucci, que trabalha como free-lancer em uma empresa de pesquisa. Ele entrou com a liminar para voltar a ter direito à água há cerca de 15 dias e justifica sua atitude dizendo que não teve outro jeito. ‘‘Já acertei com minha advogada que vou pagar o que devo aos poucos, depois que a água fosse religada.’’ Segundo Mauro, sua dívida está em torno de R$ 1,4 mil.
Outro morador que conseguiu o direito à água, que pediu para que seu nome não fosse publicado, se justificou dizendo que seu salário vinha através de um convênio, que foi cortado. ‘‘Já estou com alguns bens penhorados e estou vendendo meu carro. Assim que puder, pretendo pagar’’, afirmou.
Diante da revolta dos outros, os dois moradores inadimplentes aceitaram, ontem de manhã, permanecer sem água, mas a direção do condomínio preocupava-se: ‘‘Estamos com uma ordem judicial e precisamos cumpri-la. Só que se fizermos isso, não sei o que vai acontecer. O pessoal está muito revoltado, tem até gente andando armada aqui dentro. Qualquer hora dessa acontece uma tragédia’’, temia a vice-síndica Helena Barbosa. Até o final da tarde, a ordem judicial não havia sido cumprida, mas, segundo Helena, isto seria feito ainda ontem.Paulo WolfgangContra inadimplentesMoradores do residencial não queriam deixar encanador religar sistema de abastecimentoSilvana Leão

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