Moradores protestam contra greve
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quinta-feira, 14 de setembro de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Um grupo de moradores das redondezas do Jardim Franciscato (Zona Sul de Londrina) fez uma manifestação em frente ao posto de saúde do bairro pedindo o fim da greve dos servidores municipais. Cerca de 30 pessoas reuniram-se em frente à unidade básica de saúde (UBS) do Jardim Itapoã para protestar, utilizando faixas e um carro de som emprestado. Fechada desde o início da paralisação (há quase 40 dias), a UBS havia retomado o atendimento no dia anterior, mas isso não interferiu na manifestação.
Todos fizeram questão de ressaltar diversas vezes que o movimento não teve nenhuma conotação política, e que ninguém ali estava tomando partido da prefeitura ou dos grevistas. ''Não estamos do lado de ninguém, somos contra a greve e a favor da população. Nós elegemos o prefeito, e não os servidores, por isso estamos cobrando dele'', justificou a moradora Miriam Alves Rios Benedito. Miriam é integrante do Clube de Mulheres Unidas do Jardim Jatobá, entidade que organizou a manifestação. ''O prefeito (Nedson Micheleti) é quem tem que resolver essa questão, e a população não pode ser penalizada por isso. Como ele vai resolver não é problema nosso'', complementou.
Para ela, o posto foi reaberto para atrapalhar o protesto dos moradores, versão que foi logo refutada por Primitivo Nogueira e Zilda Maria Cavalarini, integrantes do Conselho de Saúde da região que também participaram do protesto. ''A abertura foi resultante de um acordo com várias pessoas de vários postos'', informou. ''Se o sindicato vier aqui querendo fechar, nós vamos impedir e até usar a força física se for preciso. Este posto não vai fechar.''
De acordo com a diretora-executiva da Secretaria Municipal de Saúde, Marlene Zucoli, o posto foi aberto atendendo uma solicitação feita na semana passada pelo promotor público Paulo Tavares, baseada em um ofício proveniente da própria comunidade. Ela informou que a UBS em questão está trabalhando com 24 funcionários, entre médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e de serviços gerais. A unidade deve manter o atendimento reduzido, das 7 às 13 horas, até o final da paralisação.
''A manifestação é livre e estamos em um país democrático. Só pedimos que ela seja feita de forma que não impeça nossas equipes de atender os pacientes. Como medir corretamente uma pressão arterial com o barulho do carro de som, por exemplo?'', questiona a diretora.
Segundo Marlene, muitos servidores da área da saúde que estão trabalhando têm sofrido represálias da comunidade. ''Até queria fazer um pedido à população para compreender que quem está trabalhando merece consideração e não é responsável pela greve. Eles estão fazendo o melhor trabalho possível, mas não têm condições de dar conta de tudo.'' A diretora informa que exatamente metade das 54 UBS da cidade está funcionando.
''Eu acho que quem faz greve não tem vergonha na cara. Tem gente que tá morrendo por aí. Fico mais comovida é com a situação das crianças doentes'', afirmou Maria da Conceição Primo Decati, 62 anos, enquanto aguardava para ser atendida dentro do posto de saúde. Apesar de ser contra a paralisação, ela afirmou que não iria aderir ao protesto.


