Moradores protestam contra fechamento de banco
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Aline Machado Parodi<br> Reportagem Local 
Tamarana - Os moradores de Tamarana, na Região Metropolitana de Londrina, estão se mobilizando pelas redes sociais e coletando assinaturas em um abaixo-assinado para tentar reverter a decisão do Banco Itaú de desativar a agência da cidade. A unidade está fechada desde que foi alvo de um grupo fortemente armado que arrombou o local na madrugada de 12 de dezembro. Os assaltantes utilizaram uma retroescavadeira para invadir o prédio.
Ontem pela manhã, dezenas de corretistas estiveram em frente à agência para protestar contra o fechamento da agência. "Nossa intenção é tentar comover os diretores do banco para que voltem atrás da decisão de fechar a agência", comentou Hector Augusto Siena Gobetti, procurador da Câmara de Vereadores de Tamarana.
De acordo com Gobetti, cerca de 2 mil aposentados e pensionistas recebem o beneficio pelo Itaú e a agência tinha mais 1,5 mil correntistas. A orientação do banco é que os clientes procurem as agências bancárias em Londrina e Faxinal e utilizem os serviços pela internet ou telefone.
O fechamento da agência afeta principalmente os aposentados, que têm mais dificuldade de deslocamento e para lidar com a tecnologia. "Não sei mexer no caixa eletrônico. Aqui eles (funcionários) ajudavam a gente. Agora tenho que ir a Londrina para pagar as contas e sacar dinheiro. Essa agência fechada quebrou uma asa nossa", reclamou a aposentada Vanira Aparecida Santos Fabrício, de 65 anos.
Dona Vanira já pediu para o genro trazê-la para Londrina para receber o benefício e na semana que vem será a vez do marido. "Para nós que somos idosos está muito difícil. Com o dinheiro que poderia usar para comprar remédios estou tendo que pagar para alguém me levar em Londrina", disse.
O comerciante Jurandi Oliveira, de 47 anos, não movimenta a conta desde o assalto. Correntista há 15 anos, ele está usando apenas o débito automático. "Se realmente fechar a agência, vou ter que mudar de banco, porque será muito difícil ir para outro lugar", disse.
O fechamento do banco também preocupa os comerciantes. Anacleto Aparecido da Silva, de 73 anos, acredita que o movimento no comércio caiu em torno de 70% nos últimos dias. "O Itaú deveria ter mais responsabilidade com a população de Tamarana. O movimento no comércio vai cair ainda mais. O pessoal vai para Londrina e acaba gastando por lá. Além do mais, o pessoal pode ficar desacreditado na cidade e deixar de investir aqui", comentou.
Os índios da Reserva Apucaraninha também reclamam da necessidade de deslocamento para outras cidades. "Os idosos estão tendo que pegar táxi para ir a Londrina ou Faxinal. Eles não podem andar de ônibus, pois a estrada é muito ruim e com muitos buracos", reclamou o cacique Natalino Marcolini. Segundo ele, em torno de 500 índios recebem benefícios pelo Itaú.
O diretor executivo da empresa Tamarana Tecnologia, Kentaro Takahara, acredita na sensibilidade da direção do Itaú para manter a agência funcionando. "O banco é um agente importante no processo econômico da cidade. O fechamento afeta a nossa empresa e também o município", comentou. A empresa realiza uma série de operações com o banco e está utilizando as agências de Londrina. "É um gasto a mais para a empresa e perdemos agilidade. A manutenção da agência é muito importante", enfatizou.
A direção do Itaú informou, por meio de nota, que "por uma decisão comercial optou por fechar a sua agência de Tamarana". Ainda segundo a nota, o banco "possuiu diversas alternativas para o cliente, como internet banking e aplicativos de acesso pelo celular". Também informou que as operações que exigem atendimento específico com gerente poderão ser feitas na agência de Faxinal e que os funcionários da agência de Tamarana serão realocados em agências próximas.
Para o Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, o Itaú está usando o ataque a agência de Tamarana como desculpa para fechar a unidade e demitir os funcionários. "O Itaú está usando o ato do assalto como bode expiatório. Ele vem fechando outras agências na região e foi o banco que mais demitiu este ano na região de Londrina", disse Aelton Alves Pereira, diretor do Sindicato.


