Moradores protestam contra Cohab
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A tensão era grande, ontem pela manhã, na sede da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). Moradores da Vila Marízia (Área Central) foram protestar contra o que classificaram como ''uso de má-fé'' de funcionários da companhia. Eles alegam que entregaram documentos e assinaram papéis, sob a promessa de ganharem as escrituras das casas onde residem há 11 anos. Ao invés disso, terão agora que pagar prestações mensais pela moradia.
De acordo com a dona de casa Marilu da Silva, 36 anos, funcionários da Cohab procuraram as famílias há cerca de 20 dias. Eles teriam pedido uma série de documentos a cada proprietário, que seriam necessários para providenciar a escritura da casa. ''Em nenhum momento falaram em pagamento. Confiamos neles e fomos lesados'', indignou-se. Segundo Marilu, dias depois os funcionários voltaram com contratos prontos, pedindo a assinatura dos moradores. Trinta e oito deles teriam assinado.
''Como a gente não sabe ler nem escrever, assinamos sem saber o que estava escrito. Depois é que ficamos sabendo que aquilo obrigava a gente a pagar'', afirmou a catadora de minhocas Laurice Gomes, 36. As prestações seriam de R$ 48 mensais para cada família. Sem renda fixa, Laurice garante que não tem condições de arcar com esse custo. O aposentado Sebastião Neri da Silva, 58, diz o mesmo. ''Tenho gastos com problemas de saúde e uma família pra sustentar. Tudo com R$240 de aposentadoria. Não tenho condições de pagar isso'', reclamou.
Enquanto aguardavam nos corredores da companhia, moradores tiveram um bate-boca com um funcionário. ''Esse aí é um dos que mentiu pra nós'', apontaram. ''Menti o quê? Está tudo correto. Ninguém mora de graça, não'', respondeu o funcionário.
As casas das famílias foram construídas em sistema de mutirão, com recursos do governo estadual repassados para o município. Os moradores garantem possuir os títulos de propriedade dos terrenos, doados pelo então prefeito Antônio Belinati (PSL).
Ainda na manhã de ontem, representantes das famílias que invadiram um estábulo da prefeitura no Jardim Nova Conquista (Zona Leste), em meados de janeiro, foram à Cohab cobrar uma definição do presidente da companhia, Carlos Eduardo Afonseca. A Cohab negocia a transferência das 22 famílias para um loteamento no Jardim Nova Esperança (Zona Sul).


