Moradores protestam contra aterro em Curitiba
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As vias de acesso ao aterro do Caximba pela BR-116 foram interditadas, durante toda a manhã e tarde de ontem, por cerca de 100 moradores do bairro do Caximba em exigência ao fechamento do aterro sanitário. A população não quer a implantação do novo Sistema Integrado de Processamento e Aproveitamento de Resíduos (Sipar), que permitiria o prolongamento da vida útil do aterro e pede uma audiência pública para resolver os passivos ambientais. Os caminhões de lixo foram impedidos de entrar para a descarga de resíduos. O protesto foi organizado por representantes da comunidade e de movimentos religiosos.
De acordo com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o consórcio responsável pela gestão do lixo - formado pela Prefeitura de Curitiba e outros 15 municípios da Região Metropolitana- foi notificado, há um ano, que o Caximba não teria mais condição de receber detritos e que deveria ser lacrado. ''Eles foram avisados da impossibilidade de ampliação porque o Caximba está a ponto de uma catástrofe ambiental e de forte impacto na população vizinha. Nesta semana, sairá o licenciamento dos locais escolhidos pelo consórcio'', comentou o presidente do IAP, Vitor Hugo Burko. Segundo ele, a licitação do consórcio está em fase técnica.
O aterro do Caximba poderá ser substituído por outras áreas em Fazenda Rio Grande ou Mandirituba. Os dois municípios e a Caximba foram escolhidos pelo consórcio após uma consultoria da empresa Mineropar contratada pelo IAP, lembrou Burko.
O protesto é o segundo em três dias. No sábado, os moradores participaram de uma carreata para alertar a população sobre o problema do lixo no bairro. ''A prefeitura de Curitiba teve 20 anos para procurar outro local e agora diz que não sabe onde por o lixo? Isso é descaso com a população que está sofrendo com problemas de saúde, de falta de bem-estar, além da poluição do meio ambiente com o desemboque de chorume no Rio Iguaçu e a liberação de gás metano. Não vamos permitir o prolongamento da vida útil do lixão'', afirmou o presidente da Aliança para o Desenvolvimento Comunitário da Caximba (Adecom), Jadir Silva de Lima.
A artesã Lila Oslichi, que mora há 20 anos no Caximba, diz-se indignada com a situação e acusa a prefeitura de não manter uma fiscalização eficiente dentro do aterro. ''Tem dia que só vemos um fiscal e eu já vi lixo impróprio sendo descarregado e gente garimpando lixo'', relatou, lembrando que sua casa está a 50 metros do lixão.
De acordo com o coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, procurador de Justiça Saint-Clair Honorato Santos, o aterro está saturado por falta de espaço e segurança ambiental. Ele conta que, desde 2004, o Ministério Público (MP) estadual vem discutindo com os municípios medidas para diminuição do volume de lixo despejado no aterro.
Segundo cálculos do MP, desde então, a quantidade baixou de 2,4 mil toneladas ao dia para 2,3 mil toneladas. A partir do dia 15 de abril, os grandes geradores de resíduos, como supermercados e shoppings, não poderão mais usar o Caximba. Para Santos, a separação do lixo deveria ser lei municipal com a obrigatoriedade de recilcar e compostar resíduos.


