Moradores de oito bairros de Maringá protestaram ontem dentro da prefeitura cobrando o fim da instalação de antenas de telefonia em áreas comerciais. Líderes de associações de moradores tentaram falar com o prefeito, que segundo a chefia de gabinete não estava na cidade. Eles cobram a sanção de uma lei da Câmara, aprovada no final de setembro. A lei complementar limita a montagem e operação de antenas de telefonia fixa e móvel nas áreas industriais.
‘‘A lei foi sancionada na sexta-feira passada e vamos tentar revertar a situação’’, prometeu o secretário de Desenvolvimento Urbano, Carlos Eduardo Schwabe. Os moradores querem que a prefeitura impeça a montagem de torres na Zona 8 e o início de operação de outras duas antenas, nos jardins Guaporé e Imperial.
‘‘As ondas emitidas pela antena fazem mal à saúde e interferem em todos os eletrodomésticos’’, disse a dona de casa Kelly Brescanzin do Rocio, que mora ao lado de uma torre no Jardim Guaporé. ‘‘O telefone celular não pode ser usado em vôos comerciais e em postos de combustíveis. Mas querem colocar as antenas dentro de nossas casas’’, argumentou.
Os moradores reclamam ainda do risco de acidente com as antenas. O professor Humberto Exaltação Jesuino, da Associação de Moradores da Zona 8, disse que as antenas são instaladas em um terreno de pequenas dimensões. ‘‘Em caso de - queda, o equipamento fatalmente vai atingir moradias ou interditar a rua e o fornecimento de energia’’, ressalta.
Outra reclamação dos moradores é com a desvalorização dos imóveis. A funcionária pública Fátima Endo, que mora ao lado de uma antena na Zona 8, acha que a casa e os terrenos que possui no local estão desvalorizados em pelo menos 50%.
Com a lei sancionada, Schwabe garantiu aos moradores que o Departamento Jurídico da prefeitura vai ‘‘tentar’’ caçar os alvarás das três últimas torres autorizadas. ‘‘Vamos fazer isso por causa do movimento popular’’, afirmou. O secretário disse ainda que as empresas podem entrar na Justiça, obtendo liminar para montar ou trabalhar com a torre.
As antenas dos jardins Guaporé e Imperial já estão montadas, mas podem ser impedidas de operar, enquanto a da Zona 8 está em construção. O responsável pela obra, Cledis Correa da Silva, disse ontem que não tinha informação sobre a possibilidade de paralisar a construção.

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